Anderson Tozato / GPP
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Estrada de terra não poderá ser utilizada para fugir da praça de pedágio.

A concessionária Ecovia Caminho do Mar, responsável pelo trecho da BR-277 entre Curitiba e Paranaguá, fechou ontem uma estrada de terra usada como alternativa para os moradores da região. Utilizando o caminho, eles não pagavam pedágio. A via de chão batido tem início antes da praça do pedágio e termina cerca de cinco quilômetros depois, dando acesso a BR-277.

Os funcionários da Ecovia construíram barreiras na estrada de terra para impedir que veículos cheguem até a rodovia administrada pela empresa. O bloqueio também recebeu cercas de arame farpado para bloquear a passagem de carros por meio do matagal existente na beira da rodovia. Um enorme buraco foi cavado no término da estrada de terra para frustrar prováveis tentativas dos moradores da região em derrubar as barreiras.

O chacareiro Paulino de Ramos classifica a intervenção da Ecovia como absurda. Ele faz parte de um grupo que reivindica a isenção do pedágio para os moradores da região, que não possuem outra alternativa, a não ser pagar o pedágio para ir até Curitiba. ?Estou indignado. Hoje eu só trabalho para pagar o pedágio. A situação vai ficar pior ainda com o fechamento da estrada de terra. Isso é uma falta de respeito?, avalia Ramos, que precisou tirar seus filhos da escola, localizada perto do posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-277, antes da praça do pedágio. Ele afirma que, se não houver solução para o caso, vai deixar a região por não conseguir mais arcar com os custos da tarifa.

Ramos revela que os moradores já procuraram advogados para tentar impedir a permanência do bloqueio. Algumas pessoas da região organizavam ontem um movimento para derrubar as placas de madeira que formam a barreira construída pela Ecovia. O motorista Luiz Carlos Rocha, que mora bem perto do bloqueio, diz que os trabalhos começaram bem cedo ?para que ninguém impedisse?. ?Não tem como ficar assim. A nossa permanência aqui fica inviável?, afirma.

?Rota de fuga?

Por meio de assessoria de imprensa, a Ecovia informa que considera a estrada de terra uma ?rota de fuga? para motoristas que não querem passar pelo posto da Polícia Rodoviária Federal ou pela praça de pedágio. Não seria uma via alternativa porque não liga uma cidade a outra. Segundo a concessionária, as vias alternativas para a BR-277 são a estrada da Graciosa e a BR-376. A Ecovia alega que o movimento de veículos pesados e de passeio têm causado transtornos para as pessoas que possuem casas na beira da estrada de terra. O intenso tráfego estaria gerando rachaduras nas construções da região. Além disso, o local estaria sendo alvo de assaltos. A empresa também assinala que há perigos para os motoristas que saem da estrada de terra e entram na BR-277, principalmente em dias de neblina.

A empresa informa que o fechamento da ?rota de fuga? visa garantir a segurança dos usuários e que operação foi amparada legalmente. Sobre os moradores que pedem a isenção do pedágio, a Ecovia comunica que 38 famílias já estão recebendo o vale-pedágio. As pessoas que ainda não foram atendidas devem procurar a concessionária para negociar a inclusão no benefício.