Observadores de todo o mundo poderão acompanhar hoje o primeiro eclipse lunar de 2007. O fenômeno, que no Brasil começará às 18h30 e terá duração total de 6h10, poderá ser observado a olho nu. Em Curitiba, o Observatório Astronômico e Planetário do Colégio Estadual do Paraná estará aberto para quem quiser acompanhar a passagem da sombra terrestre, onde estarão à disposição telescópios e monitores. A expectativa é que a Lua ganhe uma cor vermelho-clara, tendo sombras e bordas brilhantes e amareladas.
O eclipse é o desaparecimento momentâneo de um astro pela interposição de outro astro. Existem dois tipos principais desse fenômeno: o do Sol e o da Lua. O eclipse solar total acontece quando o disco da Lua encobre por completo o disco solar. Já o eclipse total lunar ocorre quando o disco da Terra encobre por completo o disco lunar.
De acordo com o astrônomo e diretor do Observatório Astronômico e Planetário do Colégio Estadual do Paraná, José Manoel Luís da Silva, a Lua ingressa na sombra da Terra e só não desaparece porque recebe uma ?ajudinha? do Sol. ?O Sol joga os raios de luz na Terra. A denominada luz branca não é efetivamente branca de todo, mas composta pelas cores do arco-íris, fundidas juntas. O azul se espalha, mas o vermelho entra no cone da sombra da Terra e por isso ilumina a Lua?, explica.
Silva comenta ainda que, caso a Terra fosse várias vezes maior, ou se a Lua tivesse apenas uns poucos quilômetros, o satélite desapareceria no interior da sombra. ?Como suas proporções são consideráveis, a Lua é iluminada, ainda que fracamente, pelos raios da luz solar?, acrescenta.
Nesse eclipse, a Lua começará a entrar na sombra terrestre às 18h30 (horário de Brasília) e, às 19h44 terá início a totalidade do fenômeno – quando a Lua entrará completamente dentro da sombra será 20h21 – que segue até as 20h58. A Lua sairá da sombra às 22h12. O astrônomo destaca que, como o nascimento da Lua ocorrerá às 18h41, quando ela nascer o eclipse já estará em processo. Ele comenta que por isso os locais mais elevados da cidade serão os melhores lugares para acompanhar o fenômeno.
Aquecimento global
Além da observação do eclipse no planetário em Curitiba, outras duas equipes estarão de plantão para acompanhar o fenômeno. Uma irá para a região de São Luiz do Purunã para fotografar e cronometrar o eclipse; e outra irá para o observatório planetário, em Campo Magro, onde fará a medição da intensidade da sombra na Lua e coloração do satélite durante as fases do fenômeno. Os resultados desses trabalhos servirão para estudos e publicações nacionais e internacionais.
O astrônomo José Manoel Luís da Silva destaca ainda que esses trabalhos poderão servir de base de estudos que avaliarão o grau de poluição na atmosfera, que vem provocando o aquecimento acelerado do globo terrestre. ?Isso tudo está sendo mal explicado, pois o aquecimento global tem que existir. O que está acontecendo é que a mão do homem está provocando um aquecimento anormal?, falou. Ele lembrou que no ano de 1993 não foi possível observar um eclipse lunar porque um ano antes um vulcão que entrou em erupção nas Filipinas jogou muita cinza na atmosfera, o que impossibilitou a observação da Terra. Segundo Silva, os eclipses acontecem duas ou três vezes ao ano, sendo que o próximo será no dia 28 de agosto, quando no Brasil só será possível observar apenas as fases iniciais do fenômeno.


