Uma enorme fila é formada todos os dias pela manhã em frente à sede da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), no centro de Curitiba, por pessoas que buscam a carteira de trabalho. Cerca de 1,5 mil documentos são confeccionados diariamente, solicitados em toda a Região Metropolitana. Mas esse grande movimento não indica necessariamente um aumento de pessoas ingressando no mercado de trabalho. De acordo com dados do DRT, 30% das carteiras são perdidas ou extraviadas. O órgão tem um custo de R$ 8 para fazer cada documento.

A chefe da seção de Emprego e Salário, Maria Facundo Mota Filha, pede mais cuidado do trabalhador com um documento tão importante. “Esse número é um absurdo. Sabemos de casos que as pessoas deixaram a carteira nos bolsos das roupas, que foram para a máquina de lavar”, conta. “Por mais que seja gratuita, há um custo para o Ministério do Trabalho e, conseqüentemente, ao contribuinte”, afirma.

Durante todo o ano passado, a delegacia reuniu 19.350 carteiras perdidas. Dessas, apenas 132 foram procuradas pelos portadores e devolvidas. “Nós guardamos todas essas carteiras. Chega uma hora que não tem mais espaço”, afirma Maria. Fora esses números, outros mil documentos estão esquecidos nos arquivos do órgão. Eles foram solicitados, mas nunca retirados. “Isso tudo significa perda de tempo e dinheiro”, aponta a chefe do setor.

Outro motivo do grande movimento na DRT é a 2.ª via continuada. Isso acontece quando algum espaço na carteira de trabalho é totalmente preenchido e o documento precisa ser trocado. A carteira tem 14 páginas para registros de contratos de trabalho. Mas, segundo Maria, essa seção não é a mais completada atualmente. “A instabilidade do mercado cria muitos empregos temporários, que, juntamente com estágios, são anotados na parte de Anotações Gerais, que está sendo preenchida em pouco tempo”, explica Maria.

Desde 1997, a delegacia está adotando uma carteira fabricada na Casa da Moeda, com sistema parecido com o do passaporte. O sistema permitiu que fosse criado um banco de dados interligado com o Ministério do Trabalho, em Brasília, e as subdelegacias, no interior do Estado. O programa diminuiu os casos de falsificação e problemas de comunicação entre as várias sedes pelo País, evitando a emissão de duas carteiras para uma única pessoa, por exemplo.

Cada documento é confeccionado separadamente e as etapas de todo o processo são registradas no sistema. Um grupo de 16 pessoas fica responsável pela montagem das carteiras. “É uma verdadeira linha de produção. Para o trabalhador demora e para a gente também, mas vale a pena, pois é uma segurança”, avalia Maria. “Não é um trabalho simples, embora a população acredite que seja. Precisa de muita delicadeza para não desperdiçar uma carteira, senão todo o trabalho vai por água abaixo”, comenta a chefe da seção.