Os professores de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), paralisaram as atividades ontem, para protestar contra a nova carga horária que deve ser adotada no ano que vem para os professores de 5.ª a 8.ª séries. Hoje os docentes recebem pelo sistema de hora/aula e, com a mudança, passarão a receber por 20 horas semanais de trabalho. A medida está prevista no Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) enviado esta semana para a Câmara Municipal.

Os professores das 17 escolas de Araucária onde o ensino de 5.ª a 8.ª séries ainda não foi repassado para o Estado deram aula até as 10h da manhã e seguiram para a Câmara Municipal, para a manifestação. O secretário do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária, Onírio Carlos Silvestre, diz que os professores do município sempre trabalharam pelo sistema de hora/aula, igual ao do Estado e em todo o País. Desta forma, os professores dão cinco aulas por dia, durante três dias, contabilizando 15 horas/aula. A isto soma-se mais cinco aulas que eles cumprem nos dias de hora-atividade, que é o dia em que permanecem na escola sem entrar em sala de aula, planejando aulas e corrigindo provas. No fim das contas, a soma fecha em 20 horas/aula.

No entanto, segundo a secretária Municipal de Educação, Ivana Schemello Opis, os professores fizeram concurso para trabalhar 20 horas por semana. Como as aulas tem apenas 45 minutos de duração a conta não fecha. Os docentes entram em sala durante três dias, no quarto usam como hora-atividade e o quinto dia é livre. Ou seja, eles trabalham apenas 16 horas e recebem como se fossem 20 horas. Segundo Ivana, a medida, além de cumprir o edital, também diminui a quantidade de professores substitutos.

Mas segundo Onírio, o dia livre na verdade não é tão livre assim. Ele explica que os professores têm em média 180 alunos e a hora-atividade não é suficiente para corrigir todas as atividades e os professores acabam trabalhando em casa. A categoria quer que seja colocado no PCCV um adendo dizendo que os professores de 5.ª a 8.ª séries trabalham por hora/aula e não por 20 horas semanais como os de 1.ª a 4.ª séries, pois o plano é para as duas categorias. Outra queixa do professores é em relação à faixa salarial. Segundo eles, o novo piso de categoria desce de R$ 1.350 para R$ 1.290. Ontem pela manhã uma comissão de seis professores foi recebida pela secretária de Educação e um novo encontro ficou marcado para a próxima quarta-feira, às 15h.