Foto: Fábio Alexandre/O Estado

A ponte sobre a represa do Capivari, na Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), que liga Curitiba a São Paulo, será reaberta após 14 meses.

A ponte sobre a represa do Capivari deve ser liberada ao tráfego até o fim deste mês. Quem promete é o engenheiro e coordenador regional do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) no Paraná, David Gouvêa, após 14 meses de reconstrução. A nova ponte já pode ser inclusive atravessada, faltando apenas a concretagem da laje – prevista para ser feita ainda hoje -, o aguardo da secagem do concreto e a implantação da capa asfáltica. O engenheiro avalia o processo de reconstrução como positivo, entre outros motivos, por conta do custo total da obra, estimado em R$ 30 milhões – valor que estava dentro do previsto pelo órgão – e pela ausência de qualquer acidente de trabalho registrado. Segundo Gouvêa, na reta final a estratégia é passar por cima da ansiedade em prioridade da segurança.

?Agora, é apenas procedimento de rotina. Antes a gente tinha que desafiar a natureza?, afirma. A previsão de entregar a ponte em janeiro deste ano, um ano após a queda, foi frustrada por causa da chuva. ?Estamos com 80 dias de atraso por conta da barragem, que subiu, e também por causa das chuvas.? Antes disso, porém, a reconstrução passou por problemas mais críticos, principalmente de ordem técnica. Na época da queda, a previsão de término da obra -feita em caráter de urgência – era de seis meses. Depois, com as avaliações técnicas, percebeu-se que o problema estava na instabilidade do terreno em uma das cabeceiras, ocasionando deslizamento que deveria ser contido para garantir a segurança da ponte em funcionamento, sentido São Paulo – Curitiba, e da que seria refeita.

O tempo, a partir daí, virou o segundo desafio. ?É uma operação de guerra, com a concorrência de diversos técnicos. Quando o terreno está organizado, se tem mais tempo para achar soluções. Mas, nesse caso, a nossa necessidade era manter o tráfego?, lembra.

À véspera da entrega, o coordenador do DNIT avalia tanto o andamento como o resultado da obra satisfatórios. ?Nossa primeira vitória foi ter lutado contra a adversidade da geologia e do clima e não ter interrompido o tráfego. E também colocamos soluções baratas para manter a estabilidade da ponte em uso, além de evitar que desabasse por inteiro a ponte que caiu, mesmo com o terreno andando, parando e depois disparando de novo?, cita. A parte da ponte que caiu, que media 80 metros, passa a ter agora 120 e está mais segura, garante Gouvêa. ?As estacas de fundação instaladas têm 36 metros de profundidade e vão dar mais estabilidade.?

Após a atual fase de colocação da armadura (ou ferragens), o cronograma segue dentro do previsto, desde que não haja chuva forte e continuada. O processo entre cura do concreto e passagem da manta asfáltica deve levar em torno de 20 dias, sendo que até o último dia de março a previsão é de que o tráfego esteja liberado. ?O importante nessa fase é suportar a ansiedade e não cometer erros por causa de prazos. O material tem de adquirir a resistência necessária; não vamos arriscar a vida de ninguém?, conclui Gouvêa.