Motoristas que trafegam entre São Mateus do Sul e União da Vitória, na região centro-sul do Paraná, utilizando as BRs 476 e 153, encontram muitos buracos na pista. Um recapeamento foi realizado no trecho, mas os benefícios da obra permaneceram por apenas 60 dias, conforme relatos de leitores encaminhados a O Estado. “A situação realmente é crítica”, confirma o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no Paraná, José da Silva Tiago.

No local estava sendo realizada uma manutenção melhorada, com a fresagem e colocação de uma nova capa asfáltica. “No entanto, houve falha de projeto. O documento apresentado pela superintendência anterior não contemplava a estrutura do pavimento e há problemas neste sentido, e não na capa asfáltica. Se não corrigir, não adianta uma nova capa. Por isso, determinei a paralisação da obra imediatamente”, comenta Tiago.

De acordo com ele, já houve na sede do Dnit em Brasília a aprovação de um novo projeto, prevendo as mudanças na estrutura do pavimento da rodovia. Na semana passada, o órgão assinou a ordem de serviço para o reinício das obras de recuperação do trecho entre São Mateus do Sul e União da Vitória. A obra está dentro do Programa de Restauração e Manutenção de Rodovias (Crema), do governo federal. “Vamos refazer o que ficou malfeito e o restante faremos conforme o previsto”, explica o superintendente. O contrato com a empresa responsável pela obra determina o prazo de um ano para a recuperação da estrutura e da pavimentação e outros 12 meses de manutenção. Se houver algum problema neste período, o ônus ficará com a empresa. O serviço está orçado em R$ 22 milhões, aproximadamente.

Também na BR-476, o Dnit está concluindo as obras de recuperação entre São Mateus do Sul e Lapa. O trecho está dividido em três lotes, sendo que em dois deles os trabalhos já atingiram 80% da meta. Faltam apenas obras de acabamento. Toda a pista e os acostamentos estão prontos, segundo Tiago. Em um lote, as obras foram paralisadas e houve o reinício recentemente com o projeto revisado.

O Dnit ainda vai licitar, no mês que vem, as obras de manutenção, melhorias e adequação da BR-153 entre União da Vitória e a divisa com Santa Catarina. Neste trecho houve problemas com encostas e alteração no traçado da rodovia por causa disto. As obras preveem as correções no traçado, contenção das encostas, execução de terceiras faixas, passagens em desnível e pavimentação total das ruas laterais. “Está previsto o melhoramento com adequação porque há um conflito entre o tráfego da rodovia e o urbano”, esclarece Tiago. A obra deve custar R$ 220 milhões.

PAC tem projetos previstos para todo o Estado do Paraná

O Dnit também está com projetos em andamento dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a construção e adequação da BR-487; a construção da BR-158 entre Campo Mourão e Palmital; a construção e adequação da BR-153 entre Alto Amparo e Imbituva; e a construção de acessos e da nova ponte na fronteira entre Brasil e Paraguai, em Foz do Iguaçu.

Dentro do PAC 1 estão a construção do Contorno de Maringá na BR-376, em fase de execução, e do Contorno de Cascavel, na
BR-163, que deve ficar pronto em janeiro de 2011. Também na primeira etapa do programa foram executadas obras de pavimentação na BR-153, entre Ventania e Alto do Amparo, próximo ao entroncamento com a BR-376. Segundo o superintendente do Dnit no Paraná, José da Silva Tiago, falta pouco para a obra ser concluída. Devido a problemas de ocupação irregular em Ventania, foi paralisada a obra
em um viaduto. “A prefeitura, da cidade já doou um terreno para a remoção destas 58 famílias. Assim que isto acontecer, será realizado o encabeçamento e a conclusão da pavimentação de 600 metros”, explica.

Três obras que estavam previstas para o PAC 1 terão suas conclusões dentro do PAC 2. Uma delas é a construção da ponte sobre o
Rio Paraná próxima da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. A nova ligação internacional está com o projeto em fase final de elaboração e deve ser entregue em julho deste ano. Além da ponte, o projeto contempla um acesso de 14,7 quilômetros até a BR-277.

As obras estão orçadas em R$ 350 milhões. Já a situação da BR-487 é um pouco mais complicada. A chamada Estrada da Boiadeira está dividida em quatro lotes. Na parte entre Campo Mourão e Cruzeiro do Oeste, a revisão do projeto deve ficar pronta até o final deste mês. O trecho entre Tuneiras do Oeste e Cruzeiro do Oeste deve ser licitado em 30 dias. Entre Tuneiras do Oeste e Nova Brasília, ainda há dependência em questões ambientais por causa da criação da Reserva das Perobas, instalada após a definição do projeto. O lote entre Cruzeiro do Oeste e Porto Camargo está subdividido em duas partes.

A primeira, de Porto Camargo à Serra dos Dourados (50,8 quilômetros de extensão), tem um problema de revisão de projeto após a descoberta de um sítio arqueológico na região. O Dnit terá condicionantes para a execução do projeto e não há prazo para qualquer
definição. Da Serra dos Dourados até Cruzeiro do Oeste, a licença de instalação está integrada ao trecho anterior. A obra completa
da Estrada da Boiadeira deve chegar a R$ 450 milhões.

Também será executado pelo PAC 2 o projeto, original do PAC 1, da implantação de bacias de contenção de cargas perigosas na BR-116, no Contorno de Curitiba.

Adequação da BR-163 no PAC 2

Entre as obras previstas no PAC 2 está a adequação da BR-163, em uma extensão de 63 quilômetros entre Guaíra e Marechal Cândido Rondon. “A restauração está em fase de elaboração de projeto. O trecho estava com o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), que vai fazer a adequação do projeto e oferecer ao Dnit. Vamos analisá-lo e, se for aprovado, a obra entra em licitação”, afirma Tiago.
O mesmo processo deve ocorrer com a BR-158, entre Campo Mourão e Palmital. A estrada era uma rodovia estadual transitória, por ter sido implantada em cima de um traçado previsto pelo Dnit. Hoje, está integrada à malha federal.

Ainda não existe projeto para outra obra prevista no PAC 2, na BR-153 entre Alto Amparo e Imbituva. O Dnit tem a autorização para
licitar o estudo de viabilidade técnico-ambiental. Fora do PAC, o órgão federal ainda trabalha com a restauração do Contorno Rodoviário de Curitiba entre as BRs 277 (Campo Largo) e 476, além da recuperação da Estrada da Ribeira, entre Curitiba e Adrianópolis. Devido às fortes chuvas no final do ano passado, surgiram 28 pontos de deslizamentos na rodovia. Haverá a retomada do traçado e a contenção das encostas.