Aliocha Maurício / GPP

As famílias estão retirando seus
objetos do que sobrou das casas.

Prosseguiu ontem a retirada dos moradores do Jardim Passaúna, no município de Campo Magro. A ação faz parte de uma reintegração de posse iniciada na quinta-feira. A área de preservação ambiental, com 19 mil metros quadrados, foi ocupada há dois anos por cerca de 50 famílias. O despejo, que deveria terminar ontem, continuará hoje. O trabalho está sendo feito por funcionários da prefeitura e pelos próprios moradores, com acompanhamento da Polícia Militar.

Até ontem a retirada havia sido pacífica, mas segundo moradores, acordos feitos numa reunião na quinta-feira foram descumpridos. ?O prefeito Rilton Boza (PTB) prometeu cestas básicas, mas nenhum morador recebeu alimento algum?, acusa Rosinha da Silva, que aguardava um dos caminhões disponibilizados pelo município para levar seus pertences a um abrigo. A moradora também reclama da maneira com que sua residência foi desmontada. ?Utilizaram muita violência e estragaram muita coisa?, diz.

Segundo os moradores, pela manhã um trator chegou a derrubar duas casas, o que também contraria o acordo para a retirada. ?Consideramos isso uma quebra de compromisso?, afirma Luiz Herlan, representante da Central de Movimentos Populares, que está dando suporte aos moradores. Ninguém foi encontrado na prefeitura para responder às acusações dos moradores.

Os móveis e materiais das casas estão sendo levados para abrigos oferecidos pela Cohab. Os moradores que tiveram suas casas retiradas passaram a noite num barracão da Prefeitura de Curitiba, no Tatuquara, ou em casas de parentes. Contudo, alguns chegaram a passar a noite ao relento com medo de perder a madeira das residências, já que não foi possível transportar todo o material na quinta-feira. ?Economizei muito para poder construir minha casa e não saio daqui até que todo o material esteja seguro?, conta Eunice Terezinha Linhar.

Paranaguá

A Cohapar ofereceu lotes em Paranaguá para que as famílias ocupassem, mas a idéia não foi bem recebida. Linhar foi uma que rejeitou a idéia. ?Trabalho em Curitiba e meus filhos estão matriculados em escolas aqui. O que vamos fazer por lá??