Famílias despejadas não têm para onde ir.

Cerca de trinta pessoas que foram retiradas de uma área de invasão no São Brás, em Curitiba, no último dia 14 de maio, fizeram uma manifestação em frente à Prefeitura de Curitiba ontem pela manhã. Com faixas e cartazes nas mãos, as pessoas queriam uma solução definitiva por parte do município para as famílias que foram despejadas. Elas alegam que muitas estão alojadas em igrejas ou garagens de residências de amigos, porque não têm para onde ir. Uma família, inclusive, teria ido morar com os filhos debaixo de um viaduto.

A diarista Sônia Rodrigues da Silva afirmou que no dia da desocupação foi levada para um albergue, onde pôde ficar por apenas dois dias. Agora, tem passado as noites em uma cancha esportiva. “Eu até pedi para voltar para a casa onde morava de aluguel, mas o dono não deixou porque disse que não vamos conseguir pagar”, afirmou. Grávida de sete meses, Sandra Garcia Ribas falou que alterna os dias na casa da mãe e da sogra, mas que essa situação está insuportável devido à gestação. Ela reclamou ainda que as roupas da criança foram levadas junto com a mudança, não conseguindo mais encontrá-las.

Tentativa

Segundo Darci Pereira da Silva, o “Marquinho”, que estava representando o grupo de sem-teto, acredita que das mais de 100 famílias retiradas da invasão, 30 estão necessitando de ajuda imediata. “Essas estão em igrejas, oficinas mecânicas ou na garagem de um amigo”, falou. Marquinho e outros representantes foram recebidos pelo assessor da Prefeitura, César Bassani, que prometeu que o município irá avaliar caso a caso. Para isso, pediu uma lista com o nome e situação das famílias. Entre as possibilidades apontadas por Bassani estaria conseguir uma área através da Companhia de Habitação (Cohab), “porém seria apenas para as situações mais emergenciais, já que é preciso respeitar a fila de espera da Cohab”, comentou.