A banalização dos crimes de trânsito culminou em constituir um fator gerador da criminalidade do País. A sensação de impunidade no trânsito gera o mesmo para outras áreas. Esta é uma das idéias sustentadas pelo desembargador do Tribunal de Justiça (TJ) Octávio César Valeixo, especialista em trânsito. Nos próximos dias 7 e 8 de maio ele participa, em Brasília, do Fórum Nacional de Trânsito.

Valeixo é defensor de uma maior austeridade no tratamento dos crimes de trânsito. Ele destacou que a conceituação de crime de trânsito foi definida apenas em 1998, com a implementação do novo código. Contudo, desde 1923 se tentava conceituar tais crimes. O desembargador explicou que muitas vezes o crime de trânsito é visto com complacência e ,principalmente, envolvendo pessoas públicas e autoridades, com distinção de tratamentos. “Muitas vezes as autoridades pensam que as leis foram feitas para os outros, quando na verdade elas também devem cumpri-las”, destacou.

Para Valeixo o antigo código de trânsito foi mudado devido ao descrédito ganho por ele. Para o desembargador, uma legislação por si só não tende a modificar comportamentos, quem vai fazê-lo funcionar são as autoridades e o próprio usuário do trânsito, que tem que se responsabilizar pelo ato de dirigir. “Se este código que está aí não vingar, teremos perdido a última oportunidade”, salientou.

Valeixo destacou que o trânsito num País revela o ordenamento social desse país. “Indo do aeroporto até o hotel pode-se notar a ordenação de trânsito e social de um país. Um exemplo positivo é a Suécia. Um negativo, em algumas cidades, é a Itália, que por momentos chega a lembrar o trânsito brasileiro”, afirmou.

Valeixo definiu o motorista curitibano como folgado, abusado e agressivo. ” Isto se deve ao fato de Curitiba ainda ter uma certa característica de cidade provinciana. Todavia, a nova geração já dá uma resposta mais positiva”, disse Valeixo.