Os obstáculos de cooperação entre as cidades de regiões metropolitanas foram um dos assuntos discutidos ontem, durante o 14.º Encontro Marcado da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), no Rio de Janeiro. Dentre esses obstáculos, foram destacados os problemas com o trânsito e o transporte coletivo e o crescimento populacional nas regiões das metrópoles.

Isso é o que também acontece com a Região Metropolitana de Curitiba (RMC). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população residente na RMC passou de 2,6 milhões de pessoas, em 2000, para mais de 3 milhões, estimados em 2007.

Para a pesquisadora do Observatório das Metrópoles da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sol Garson, uma das palestrantes do evento da CBTU, é exatamente o crescimento populacional da Região Metropolitana de Curitiba que deve ser salientado nas ações de planejamento urbano.

Segundo ela, a RMC vem registrando, em média, um crescimento populacional de cerca de 15% ao ano, nos últimos 15 anos. “Ainda hoje as cidades no entorno das capitais atraem pessoas do interior dos estados e com a região de Curitiba não é diferente”, diz Sol.

Para a pesquisadora, essa demanda normalmente se constitui de pessoas que precisam de serviços públicos, como transporte, por exemplo, o que exige um direcionamento de recursos cada vez maior para a área social.

“Nos municípios onde as pessoas têm renda alta, a demanda por serviços públicos é atendida com certa tranqüilidade. No entanto, a população cresce pela gama de indivíduos que não geram receita para os municípios porque não contribuem com a maior parte dos impostos”, conclui.

A pesquisadora sugere a criação de um fundo de desenvolvimento metropolitano para distribuir melhor os recursos. “Sabemos o quanto é complicado gerir recursos de um único município. Porém, se houver idéias consensuais, desprovidas de analogias políticas, fica muito mais viável o desenvolvimento de uma região como um todo”, afirma.

Sol acredita que projetos de desenvolvimento urbano requerem recursos volumosos e precisam ser mais bem distribuídos para suprir a carência de serviços de alguns municípios que acabam sobrecarregando o sistema de atendimento das cidades centrais.

“Ainda faltam políticas integradas para prover a estrutura urbana. Um exemplo é o transporte integrado, que já é uma realidade na região de Curitiba há muito tempo”, ressalta a pesquisadora.