Ciciro Back/O Estado
Na Praça Osório, centro de Curitiba, a data foi lembrada.

Curitiba também comemorou ontem o Dia Nacional da Consciência Negra, instituído em 1977 para homenagear Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, que lutou pela liberdade do povo negro. Os problemas e avanços conseguidos nos últimos anos com a implantação de políticas públicas para afrodescendentes foram lembrados na Praça Osório, centro da capital, por integrantes de vários movimentos negros.

Zumbi morreu no dia 20 de novembro e para o movimento negro ele deveria ser considerado um herói nacional. Paulo Borges, da Associação Cultural de Negritude e Ação popular (Acnap), explica que Zumbi lutou pela liberdade do povo africano, escravizado durante cerca de 400 anos de história. No próximo ano, eles vão começar, junto ao Congresso Nacional, uma mobilização para que a data seja considerada feriado nacional, a exemplo do que já ocorre hoje nas capitais de São Paulo e Rio de Janeiro.

Paulo disse que desde a Abolição da Escravatura, em 1888, o país nunca se preocupou em implantar políticas de inclusão social. O povo africano ganhou a liberdade, mas nenhum direito. ?As coisas começaram a mudar há pouco tempo?, comenta, e dá como exemplo o vestibular com cotas raciais realizado nas instituições de ensino superior do país. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, 20% das vagas são reservadas para afrodescendentes. Antes, a população negra representava menos de 2% dos alunos. ?Agora a nossa luta é pela manutenção desta política e por melhorias?, fala.

Ainda dentro da área da educação, os movimentos pedem que a Lei 10.639 seja cumprida. Ela foi aprovada em 2003, mas muitas escolas ainda não dão a devida atenção ao estudo da história e da cultura afro-brasileira. O objetivo é mostrar a contribuição africana para a formação social, cultural, econômica e científica do país, diminuindo o preconceito ainda embutido na sociedade.