Alunos e professores do cursinho pré-vestibular Formação Solidária lutam para que o projeto não morra. Motivo: a direção do Colégio Estadual Luiza Rossi, no Boqueirão, que abriga o cursinho para pessoas carentes, pediu a devolução do espaço. Por isso, os envolvidos criaram abaixo-assinado online, que já coletou mais de 800 assinaturas.

O Formação Solidária existe há 11 anos e há quatro funciona no colégio. Há seis meses, segundo o coordenador do projeto, Elias Bonfim, o diretor da escola informou que não poderiam mais permanecer no local. “Ele disse apenas que precisa do espaço, porque vão montar o ensino médio, mas ele nem ao menos tentou outra solução”. O contrato firmado entre o colégio e o curso acabaria só em dezembro de 2014.

Não avança

Houve nova reunião, mas a negociação não avançou. “Depois de conversarmos muito, porque nossa intenção não é prejudicar a escola, não chegamos a lugar nenhum. Há uma possível luz no fim do túnel, mas dependemos de gente grande, como a Secretaria de Educação”, explica o coordenador. “É totalmente possível que o projeto continue na escola e a direção implante o ensino médio, em horários diferentes”, sugere.

Para o aluno Roger Guimarães, “o colégio só melhorou com o curso e podemos melhorar ainda mais”. Segundo ele, a saída do curso prejudicaria não só os estudantes do projeto, mas também os do Luiza Rossi. “Além disso, temos que pensar também nos novos alunos, porque todo mundo precisa de chance de fazer uma faculdade”, conclui.

Estrutura e bom resultado

O curso é um projeto gratuito mantido pela organização não-governamental Formação Solidária, destinado a pessoas com renda de até um salário mínimo por mês, e vem de história de luta dos integrantes que o criaram. No início, os idealizadores tinham dificuldades para colocar o projeto em prática, por conta de espaço físico e parcerias, mas hoje, o conseguiu estrutura de curso particular e mostra bons resultados. Em três anos, 120 alunos passaram na Universidade Federal do Paraná. Com capacidade aumentada, o curso pode atender até 240 estudantes. Tem parcerias com gráfica de grande porte e professores de renome. “Isso faz com que a qualidade do curso seja de um curso particular. Nós temos o suporte que precisamos para passar em qualquer vestibular”, avalia Roger Guimarães, que pretende fazer administração.

O curso oferece também acompanhamento aos alunos. “Não pensamos somente em fazer com que os alunos passem no vestibular e depois esquecemos deles. Acompanhamos durante a faculdade e ajudamos na busca de emprego, porque pensamos que assim as chances de sucesso destas pessoas são ainda maiores”, explica o coordenador. “Eu tive um acompanhamento quando comecei e é por isso que hoje luto para que estas pessoas também tenham”, diz Elias Bonfim.

Adoção do contraturno

A direção do colégio não atendeu a reportagem da Tribuna. A Secretaria da Educação confirmou que a escola pediu o espaço por causa da reforma, mas destacou que a decisão sobre a retomada das aulas após as obras compete somente ao colégio. A chefe do núcleo regional de educação de Curitiba, Maria Verônica da Silva, informou que depois da reforma o espaço será destinado a atividades da escola, como o contraturno.

Mesmo assim, afirma que está sensibilizada com a atuação do cursinho. “Temos entendimento da importância do cursinho para a comunidade, mas a reforma é necessária”, disse. Ela afirmou ainda que está procurando outros locais para a instalação da, atividade no bairro, conforme solicitação dos organizadores, mas não há equipamentos na região que possam receber a iniciativa. Para isso encaminhou a solicitação ao Rotary do Boqueirão.