Andar nas calçadas de Curitiba não tem sido fácil. São centenas de buracos, desníveis, rampas e outras irregularidades que não deixam o pedestre caminhar direito. Quem afirma é a Associação dos Condomínios Garantidos do Brasil. Desde 1999, a entidade faz uma campanha para conscientizar os proprietários de imóveis, responsáveis pela calçada, a construí-la ou reformá-la dentro das normas da Prefeitura (Lei Municipal n.º 8.365/93).

Depois da elaboração de uma cartilha com orientações sobre as normas corretas de construção das calçadas, a associação fez uma pesquisa na qual foi constatado que 60% dos curitibanos não estão satisfeitos com as pavimentações. A maioria deles respondeu que os problemas são as pedras soltas e degraus nas entradas das garagens. Também foram citados os aclives laterais acentuados e pequenos buracos. Em alguns bairros da cidade, a situação é ainda pior, pois não existem calçadas, fazendo com que o pedestre ande na rua e corra o risco de ser atropelado. “Ou ainda há obras ou caçambas que criam empecilhos e a pessoa sempre procura a maneira mais fácil, que é desviar pela rua”, explica Elin Tallarek de Queiroz, vice-presidente da entidade.

Para ela, o pedestre tem o direito de andar sem problemas nas calçadas. “A lei diz que o pedestre tem o direito de andar sobre uma superfície plana, o que não acontece hoje. Nem mesmo o material (pedras) usado permite isso”, comenta. “O carro anda em uma superfície lisa (asfalto), mas o homem precisa lidar com essas calçadas”, afirma Elin.

As irregularidades trazem problemas para pessoas comuns, mas prejudica principalmente idosos e deficientes físicos. Pela lei, os acidentes ocorridos na calçada, como quedas e torções, ficam sob a responsabilidade do proprietário do imóvel. “Mas isso ainda não entrou em vigor na prática”, indica a vice-presidente.

De acordo com ela, a situação crítica de Curitiba é resultado da falta de fiscalização da Prefeitura. “Perdeu-se o controle dessas normas. A última coisa que se faz em uma construção é calçada e eles fazem de qualquer jeito”, conta Elin. “A função da Prefeitura também é orientar a população sobre as normas”, avalia.

Elin acredita que a solução seria a implantação de novos materiais, usados em algumas cidades do Brasil e em outros países. Um exemplo são os blocos encaixados, chamados pavers ou intertravados. O sistema acaba com a quebra das calçadas nas obras e tem superfície plana. “Não dá para quebrar e trocar tudo de uma vez. Não tem tempo nem dinheiro para isso. Partindo de uma pressão social, o governo é atingido para uma mudança do plano urbanístico e utilização de novos materiais”, fala Elin.

As calçadas que seguem 100% das recomendações estão sendo premiadas pela associação. Após uma rigorosa avaliação, os membros da entidade fornecem uma lajota especial, indicando que aquela é uma calçada exemplo. As pessoas interessadas em receber a visita podem ligar para o telefone (41) 223-7708.