A Organização Mundial da Saúde (OMS) está apresentando um programa de detecção precoce do abuso de álcool e outras drogas, com o objetivo da breve intervenção e encaminhamento necessários. No Brasil, aos poucos o projeto está sendo implantado. Os municípios pioneiros são Curitiba, Diadema (SP) e Juiz de Fora (MG).
Aqui, o projeto está sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), desde 1997, e os resultados já começam a aparecer. ?Ainda está como um projeto de pesquisa, mas há a intenção de se criar um programa, em Curitiba, com a ajuda da Secretaria Municipal de Saúde?, explica a coordenadora do projeto, Roseli Boerngen de Lacerda, professora de Farmacologia da UFPR.
Profissionais da saúde municipal já estão utilizando a detecção precoce na atenção primária. O projeto já foi implantado em nove postos de saúde e qualquer paciente que chega, para qualquer tipo de intervenção ou consulta, já passa pela entrevista. ?É só a entrevista, não se usa nenhum outro recurso mais caro. Estamos avaliando para saber se detectar precocemente e fazer a intervenção breve diminui o uso dessas substâncias. E verificou-se que já diminui?, explica Roseli de Lacerda. Segundo ela, em Curitiba, 50% das pessoas que foram abordadas pelo projeto pararam ou diminuíram o uso.
?Se o paciente mostra uma pontuação sugestiva de dependência química, já será encaminhado?, explica a professora da UFPR. A universidade oferece aos profissionais dos postos de saúde o treinamento, supervisão e acompanhamento necessários para que esse serviço seja prestado. ?É preciso que incorporem essa prática no dia-a-dia?, afirma.
Metodologia
O questionário é a primeira abordagem durante o atendimento no posto de saúde. Após verificada uma situação anormal, o paciente recebe um manual para que ele faça sozinho os demais passos do ?tratamento?. ?São perguntas gerais, que cerceiam os fatores que se relacionam com o uso de drogas, mas detectam o problema. O manual é uma cartilha onde o paciente vai se monitorar no dia-a-dia. É a lição de casa, para ele mesmo perceber que existe o problema?, conta Roseli. A intenção é não pressionar o paciente, para que o resultado venha naturalmente, mas seja efetivo.


