O setor metroferroviário brasileiro conta hoje com uma malha urbana de 1.000 quilômetros e para a sua expansão nos próximos anos existem projetos que, juntos, totalizam R$ 100 bilhões e contemplam a implantação de metrôs, trens urbanos VLTs (Veículo Leve sobre Trilhos) e monotrilhos. O setor trabalha atualmente com o seguinte cenário: os tempos bicudos para o transporte metroferroviário brasileiro são páginas que ficaram para trás e a tendência é a de que um novo e importante capítulo da história dos transportes urbanos no País comece a ser escrito: há muito a ser feito e o tempo é curto. A cada dia que passa o caos aumenta nas grandes cidades brasileiras.

Curitiba vai começar do zero. Ela está fora do mapa das cidades brasileiras onde o sistema de transporte metroferroviário é desenvolvido, como o caso de São Paulo e Rio de Janeiro, a primeira com malha de 330 quilômetros e a segunda com malha de 316 quilômetros. As duas cidades juntas possuem dois terços da malha metroferroviária urbana do País. Outras metrópoles brasileira com sistemas um pouco desenvolvidos são Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Brasília. A capital paranaense se enquadra naquele estágio que a gerente executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Roberta Marchesi, define como “investir onde não há sistema implantado”. Um eufemismo para “começar do zero”.  

Perda de importância

Em 1997, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o transporte público representava 68% dos deslocamentos nas cidades brasileiras com mais de 60 mil habitantes. Em 2005, o percentual caiu para 51% e hoje é muito menor, numa evidência de que o transporte público vem perdendo espaço rapidamente para o transporte motorizado individual.

No entanto, a partir de 2005 o setor público começou a olhar os trilhos com maior interesse e preocupação, principalmente em São Paulo, cujo governo estadual investiu R$ 20 bilhões entre 2007 e 2010.

“Os trilhos têm mais capacidade, mais velocidade e por último, mas não destituído de importância, não agride o ambiente”, diz Victor Ferreira, presidente do Movimento de Preservação Ferroviária (MPF), uma das muitas entidades brasileiras que defendem a transferência para o trem do papel de maior transportador de pessoas nas grandes cidades.