A Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, instalou nesta semana o Comitê Técnico de Saúde Integral da População LGBT com o objetivo de universalizar o atendimento de saúde a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A cidade é a primeira capital brasileira a formalizar este comitê.

O grupo é formado por integrantes de diversos departamentos da Secretaria (Atenção Primária, Serviço de Urgência e Emergência, Atenção Especializada, Saúde Mental e Conselho Municipal), universidades e representantes da sociedade civil e realizará encontros mensais para capacitar os servidores da rede municipal no atendimento desta população.

“O Comitê dá maior visibilidade para os LGBTs. Precisamos integrar toda a rede, fazer com que os servidores das unidades de saúde também acolham essas pessoas em suas necessidades. Nosso trabalho é no sentido de promover a prestação de serviços a todas as pessoas com pleno respeito pela dignidade humana, levando em conta também as identidades de gênero”, explica o secretário municipal de saúde, Adriano Massuda.

De acordo com Igo Martini, coordenador da Assessoria de Direitos Humanos do gabinete do prefeito Gustavo Fruet, a saúde LGBT sempre foi discutida no departamento da Aids e o objetivo é continuar este trabalho, mas desvincular o foco exclusivo a este departamento. “Temos que frisar o fato de Curitiba ser a primeira capital brasileira a formalizar este comitê. Precisamos levar o atendimento da comunidade LGBT não somente aos serviços da saúde, mas também a outros setores da Prefeitura, como a Guarda Municipal, que muitas vezes se depara com situações de homofobia”.

O Comitê de Saúde da população LGBT terá como atribuições sistematizar a proposta de política municipal das estratégias e ações de saúde para esse público, com o objetivo de garantir a equidade na atenção à saúde; promover a elaboração de propostas de atenção integral à saúde, de participação e de controle social voltadas para a população LGBT, de acordo com o Plano Nacional de Saúde; incorporar, nas elaborações da política de saúde, subsídios do movimento social e do campo da pesquisa, visando ampliar o conhecimento sobre a situação da população de gays, lésbicas, transexuais, travestis e bissexuais e participar de iniciativas intersetoriais relacionadas com a saúde dessa população.

“Sou integrante dos comitês nacionais e estadual de Saúde LGBT, além de ser usuária do SUS Curitiba. Sei que muitas vezes quando procuramos uma unidade de saúde por um motivo qualquer, como uma dor de barriga, nos encaminham ao COA [Centro de Orientação e Aconselhamento – serviço de prevenção em HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis]. Importantes avanços já foram conquistados, mas é necessário que toda rede nos veja como pessoas com demandas de várias áreas e não só de doenças sexualmente transmissíveis”, afirmou Rafaelly Wiest, que preside o Transgrupo Marcela Prado e representará os transexuais no Comitê.

Uma das expectativas da representante da Liga Brasileira de Lésbicas, Leo Ribas, é discutir também o atendimento nas unidades de saúde. “É preciso que os profissionais das unidades respeitem as especificidades de cada um. Muitas vezes a pessoa nunca teve uma relação heterossexual e precisa se consultar com um ginecologista. É necessário um cuidado especial nesses casos como em muitos outros”.

A primeira reunião do Comitê será marcada para janeiro de 2015 e o objetivo central sempre será de integrar toda a rede do SUS Curitiba no atendimento desta população. “Precisamos desmistificar as coisas, como estamos fazendo com a populaç&atild,e;o em situação de rua que antes dificilmente conseguia atendimento nas unidades de saúde e UPAs”, disse Adriane Wollmann, coordenadora do Programa Consultório na Rua, programa que leva atendimento de saúde a moradores em situação de rua, e também coordenará o Comitê Técnico de Saúde LGBT.