| Foto: SMCS |
| Hémerson analisa Curitiba. continua após a publicidade |
Em novembro de 2002, um acidente de trânsito mudou a vida do policial militar Hémerson Kovalski. Durante uma investigação, o veículo dirigido por ele capotou ao ter o trajeto interrompido por um ciclista, na Cidade Industrial de Curitiba. Kovalski ficou tetraplégico. A deficiência fez o policial ver a cidade de uma outra forma, devido à necessidade de uma infra-estrutura que antes lhe era despercebida. ?O acidente me fez ver o quanto Curitiba oferece em infra-estrutura para os deficientes, como as rampas nas calçadas, os elevadores das estações-tubo e dos ônibus, as mensagens gravadas nos ônibus expressos e nos Ligeirinhos, ou as pistas táteis para cegos?, diz ele.
Na época do acidente, Kovalski permaneceu dez meses de cama. Hoje, aos 36 anos, descobriu novamente o prazer de viver. Cinco anos após o trauma, ele ganhou medalha de ouro, por equipe, e de prata, por classe, no tênis de mesa dos Jogos Parapan-Americanos, em agosto, no Rio de Janeiro.
A limitação física não impede Kovalski de ter uma vida ativa. Ele dirige pela cidade seu Corsa branco adaptado, ano 2004, faz compras, busca os filhos na escola e estaciona, quando vai ao centro, em uma das oito vagas implantadas na Rua Marechal Deodoro, que foi revitalizada há poucos meses. As vagas são sinalizadas com o símbolo internacional de pessoas com deficiência
Kovalski faz parte de um grupo de cerca de 180 mil pessoas que precisam de equipamentos especiais para ter mais mobilidade e acessibilidade em Curitiba. Uma pesquisa da Assessoria Especial de Assistência à Pessoa com Deficiência, da Prefeitura de Curitiba, mostra que cerca de 10% dos curitibanos têm algum tipo de deficiência e precisam de todas ações possíveis para melhorar a acessibilidade e a mobilidade na cidade, como a recente revitalização da Rua Marechal Deodoro.
A engenheira civil Vivian Baeta de Faria, coordenadora do Programa de Acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), disse que obras como a revitalização da Deodoro, que ganhou infra-estrutura para atender integralmente pessoas com deficiência, são experiências que devem ser levadas a outros pontos da cidade.
Para José Juarez Martins, cego e representante dos deficientes visuais na Assessoria Especial, as gravações nos ônibus expressos e nos ônibus Ligeirinhos, que informam as próximas paradas nas estações-tubo, foram um avanço. ?É uma facilidade para os deficientes visuais.?