Estabelecer, em conjunto com a população, artistas e entidades de classe, uma política cultural permanente para Curitiba, fazendo com que a Fundação Cultural volte a ser uma ferramenta de projeção da cidade e instrumento de desenvolvimento social. Essa é a meta de Paulino Viapiana à frente da cultura, no lugar de Cassio Chamecki.

Após três semanas como presidente da fundação, Paulino revela que encontra a entidade em situação pior do que a esperada, dotada de três problemas principais a serem resolvidos: infra-estrutura física bastante deteriorada, baixo orçamento e número insuficiente de funcionários. "Fazer a fundação voltar a ser o que era – um dos principais instrumentos de projeção de Curitiba – vai ser uma tarefa bastante grande. Temos muito trabalho pela frente", acredita.

Segundo o novo presidente, a fundação possui cinqüenta construções que abrigam 150 espaços culturais. Os problemas de infra-estrutura física estão presentes em todos eles, indo de simples infiltrações e problemas de pintura até interdições (como a Pedreira Paulo Leminski e o Teatro Novelas Curitibanas). Para que os locais possam ser reformados ou revitalizados, falta verba. "No ano passado, o orçamento da Fundação Cultural de Curitiba foi de R$ 21,4 milhões. Para 2005, será de R$ 15,2 milhões. Desse total, R$ 7,9 milhões são para pagamento de pessoal e R$ 4,8 milhões para custeio. Sobra muito pouco para ser investido em projetos culturais", afirma. "Já conversei com o prefeito Beto Richa e ele assumiu o compromisso de recompor parte do orçamento através de suplementações orçamentárias. Para 2006, vou trabalhar para obter recursos correspondentes a 1% do orçamento total do município, o que é uma luta histórica do setor cultural da capital."

A fundação também conta com R$ 7,65 milhões da Lei de Incentivo à Cultura e R$ 2,59 milhões do Fundo Municipal da Cultura. Em relação à falta de pessoal, Paulino diz que a fundação tem 430 funcionários, quando a necessidade é de no mínimo 700. Muitos deles estão sobrecarregados, não possuem visão voltada à área da cultura e estão bastante desmotivados. "Ao longo dos últimos anos, a fundação não tem investido em treinamento de seu pessoal. Por isso, uma de minhas intenções é investir em cursos de capacitação, motivando os funcionários e profissionalizando a fundação", declara.

Calendário fixo

Por orientação de Beto Richa, o novo presidente deve manter um calendário fixo de eventos culturais em Curitiba – a exemplo do Festival de Teatro e da Oficina de Música – consolidando a cidade como pólo cultural. "Muitos eventos acontecem em um determinado ano e acabam sendo eliminados. A partir de agora, todos os eventos realizados na cidade vão ser muito bem pensados, dimensionados e avaliados, para se tornarem parte de um calendário fixo da capital."

Os eventos culturais também deverão ter maior abrangência social, chegando à periferia da cidade e às populações de baixa renda. Isso será feito principalmente através do projeto "Comunidade Escola", que será mantido em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e que visa fazer das escolas o centro das comunidades onde estão inseridas. Assim, os espaços das escolas da rede municipal poderão ser utilizados para projetos culturais e artistas que se beneficiarem da Lei de Incentivo à Cultura serão incentivados a irem até elas, levando seus espetáculos a quem normalmente não tem acesso a eles.