Está cada vez mais freqüente a oferta de cursos com titulação superior com duração de apenas dois anos. Os chamados cursos seqüenciais são voltados tanto para a complementação de uma graduação quanto para formação específica em alguma área. Mas, antes de escolher por uma dessas opções divulgadas por instituições de ensino, é preciso ficar atento à finalidade que se pretende atingir, pois em alguns casos eles não são validados como superiores.

Os cursos seqüenciais de complementação de estudos devem ser vinculados a um ou mais cursos de graduação já reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), o que dispensa a autorização do órgão para o seu funcionamento. Esses cursos não precisam seguir o calendário do ano letivo, porém devem ter uma carga horária mínima de conteúdos. Dentro dessa modalidade, o aluno recebe apenas um certificado de conclusão de curso.

Já os cursos seqüenciais de formação específica estão sujeitos a autorização e reconhecimento do MEC para o funcionamento. A carga horária não deverá ser inferior a 1,6 mil horas/aula, o que representa 400 dias letivos. Após o término, o aluno garante um diploma de conclusão. Ambas as modalidades não são válidas para o ingresso em cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), porém permitem o acesso dos diplomados em formação específica a cursos lato sensu (especialização).

De acordo com o coordenador de Ensino Superior da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Tarcísio Trindade, a secretaria não tem um controle sobre esses cursos, porque quando se trata de uma oferta de complementação, ele pode ser criado pela universidade. “Nos casos das universidades estaduais, elas têm autonomia para a criação desses cursos sem a necessidade de autorização da Seti. Basta apenas passar pela aprovação dos conselhos e instâncias internas”, explicou. Em relação aos cursos de formação específica, estes passam pelo processo normal de criação de novos cursos, necessitando de autorização do MEC.

Para o coordenador da Seti, a proliferação desses cursos é preocupante, “pois muitas vezes eles têm um caráter meramente mercantilista”. Ele aprovou a iniciativa do MEC de suspender por 180 dias a abertura de novas ofertas de graduação, pois entende que é preciso colocar ordem no sistema. Trindade comentou ainda que a secretaria também está preocupada com a situação das universidades públicas estaduais, e por isso suspendeu a realização de concurso vestibular de 43 cursos. Hoje, porém, apenas 28 continuam suspensos e ainda dependem de uma avaliação da Seti para poder ser ofertados. Ele aconselha que, antes de optar por um curso seqüencial, é preciso definir o objetivo que se quer alcançar, pois em alguns casos eles não são aceitos em concursos ou provas de titulação.

Tecnológico

A Organização Paranaense de Ensino Técnico (Opet) é uma das instituições de Curitiba que ofertam cursos de curta duração. O diretor acadêmico do Centro Tecnológico da Opet, Ronaldo Casagrande, disse que a faculdade oferece oito cursos focados nas áreas de administração, informática e comunicação. Porém, todos são classificados dentro da área tecnológica e não seqüenciais. “São cursos de graduação”, destaca.

O diretor projeta um crescimento na procura desses cursos, afirmando que hoje eles já representam 10% das matrículas no ensino superior. “Em três anos, deverão ocupar 20%”, afirma. Isso estaria ligado ao imediatismo e foco, já que eles trabalham disciplinas específicas para a área de atuação. Casagrande afirmou que o perfil dos alunos são pessoas mais velhas, que já estão no mercado de trabalho ou que já têm uma graduação, mas querem reforçar o conhecimento em uma área específica.