Estima-se que no Brasil menos de 1% das crianças e adolescentes com necessidades especiais recebam atendimento escolar. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC), o País atende hoje a 540.039 pessoas com esse perfil. Elas estudam em classes e escolas especializadas e outra parte freqüenta salas de ensino regular. No entanto, ainda não existem dados confiáveis para saber a real demanda do País.

Um dos primeiros problemas em relação a educação especial é saber qual é a demanda. Nesse perfil, além de alunos com dificuldades de aprendizagem estão incluídos os superdotados, chamados também de alunos com altas habilidades. Segundo o coordenador-geral de desenvolvimento e aprimoramento da educação especial do MEC, José Rafael Miranda, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) está começando a trabalhar para resolver este problema.

José Rafael reconhece que muita coisa precisa ser feita no País, e que o número de crianças atendidas está aquém do necessário. No entanto, avalia que o Brasil está evoluindo na questão: “Há dez anos nem se discutia a educação especial, hoje a inclusão é assunto em todo o País”, revela. Nesse sentido, José Rafael comenta que já aparecem bons resultados em várias cidades.

Do ano passado para cá, aumentou em 30% o número de alunos estudando em turmas regulares. José Rafael destaca que 106 municípios estão capacitando seus gestores de ensino para implantar a proposta, e até o fim do ano o número deve chegar a 2,2 mil.

No Paraná, 60 mil crianças e adolescentes recebem atendimento escolar. Segundo a chefe do departamento de educação especial da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Angelina Matiskei, a meta é ampliar o número de alunos matriculados no ensino regular e reduzir o número de classes especiais. Os alunos estudam em um período numa turma convencional e no outro freqüentam uma sala de recursos, tendo atendimento mais individualizado. Até o fim do ano, o governo vai abrir concurso para contratar 5.500 professores para atuar nessa área, além de capacitar os que atuam no ensino regular. “A escola precisa respeitar as diferenças. Mas a mudança é um processo lento”, observa. A outra meta é levar escolas de atendimento especializado a 28 municípios que ainda não têm o serviço.