Antes de se preocupar com o grau de comprometimento que as crianças têm diante de suas tarefas escolares, os pais devem estar atentos ao comportamento delas diante do trânsito, principalmente quando há a necessidade de elas irem sozinhas à escola ? o que só deve ocorrer após os 10 anos de idade.

De acordo com o Siate e a ONG Criança Segura, atropelamentos de crianças até 14 anos de idade, são extremamente traumáticos e na maioria das vezes deixam seqüelas para a vida toda. “Por serem menores que os adultos, as crianças, ao serem atingidas por um veículo, geralmente são lesionadas em órgão vitais da região do tronco ou na própria cabeça”, explica o diretor clínico do Siate-Curitiba, o médico Ricardo César Accioly.

De acordo com um levantamento do Siate, para cada pessoa morta por atropelamento, existem outras três vítimas do mesmo tipo de acidentes que ficam com seqüelas permanentes. Segundo a ONG Criança Segura, este número sobe para seis no caso de crianças.

Além dos traumas físicos, como por exemplo ficarem paraplégicas, as crianças atropeladas têm mais propensão de vir a apresentarem traumas psicológicos. “O estresse pós-trauma é muito comum nas crianças. Quando o acidente acontece no deslocamento para a escola, elas podem até terem problemas de aprendizado por associarem o trauma à instituição de ensino”, exemplifica Accioly.

Na opinião do diretor clínico do Siate-Curitiba, em boa parte dos atropelamentos de crianças, elas são as responsáveis por ocasionar os acidentes. “A culpa, na realidade, é dos pais, que não preparam seus filhos para os perigos do trânsito. A criança precisa saber que existem riscos”, ressalta Accioly.

Conforme dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), só no ano passado, 344 crianças de até 14 anos de idade foram atropeladas em Curitiba. Para a ONG Criança Segura, este número não consegue retratar a realidade, porque em parte dos atropelamentos de crianças, elas são socorridas sem o BPTran tomar conhecimento.

Preparação

A coordenadora do Criança Segura de Curitiba, Alessandra Françóia, acredita que preparar a criança para o trânsito é crucial para evitar que ela seja atropelada. “É preciso conscientizar os filhos que, a partir do momento que eles estão na rua, a preservação de suas vidas depende somente deles”, ensina. Contudo esta não é a única medida que os pais devem adotar. Para o Criança Segura, o ideal é que os pais acompanhem deus filhos até a escola pelo menos até os dez anos de idade. “Crianças até dez anos, não conseguem discenir os riscos, calcular se o tempo que levam para atravessar a rua é maior que o tempo que o automóvel gasta para atingi-las. Isto porque ainda não possuem habilidades psicomotoras para tal tarefa”, explica Alessandra Françóia.

Outro aspecto importante, para garantir a segurança de seus filhos no trânsito é procurar vesti-las com roupas de cores claras ou chamativas. “Os motoristas têm dificuldades para enxergar as crianças devido o tamanho delas, principalmente em dias com pouca luminosidade”, esclarece a coordenadora. “Quando a escola não permite que a criança use roupas que não fazem parte do uniforme, a alternativa é comprar mochilas escolares e o tênis com materiais refletores.”

Mais acidentes

A partir do dia 10 de fevereiro, a Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran) espera que voltem a circular pelo anel central de Curitiba, 32.500 veículos, em função do início das aulas. Com isto, a previsão do Setor de Operação no Trânsito do órgão, é de que o tempo gasto pelos motoristas para se locomover pelas áreas centrais da cidade em janeiro, aumente de oito a dez minutos após o começo do ano letivo. Estas estimativas, no entanto, não são as únicas relacionadas ao retorno das aulas. De acordo com o Bptran, os primeiros dias do ano letivo, se destacam no ranking dos períodos em que são registrados mais acidentes.

Segundo a assessoria do BPTran, o aumento de acidentes acontece, porque durante as férias, as pessoas se desacostumam com o ritmo e o fluxo do trânsito existente no restante do ano. Por isso, tanto o BPTran quanto a Diretran recomendam cautela e que os motoristas saíam mais cedo.