O secretário da Saúde do Paraná, Luiz Carlos Sobania, anunciou ontem a criação do Comitê de Mortalidade no Trânsito, que vai investigar as causas de mortes em acidentes de trânsito no Estado para que possam ser adotadas medidas preventivas. Trata-se do primeiro comitê no gênero do País.

“No Brasil, por ano, morrem cerca de 35 mil pessoas vítimas de acidentes de trânsito. Metade delas nem chega a receber atendimento”, disse Sobania. No Paraná, no ano passado, 2.527 pessoas morreram em acidentes. “Com certeza estes números são altos e nossa intenção é promover medidas para reduzi-las”, afirmou. “O comitê vai identificar as causas de morte no trânsito para que possamos tomar as medidas necessárias e investir no combate ao problema, seja através de campanhas educativas ou mais sinalização.”

O comitê vai envolver Detran, engenharia de tráfego e hospitais. A iniciativa também terá a participação dos acadêmicos dos cursos de engenharia das universidades do Paraná, das macro-regionais de Saúde de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa.

Em novembro deste ano, fiscais do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) receberão treinamento para investigação de mortalidade no trânsito. O curso será realizado pela Universidade Federal do Paraná, através do Ministério da Saúde, com o apoio da Secretaria Estadual da Saúde. Numa segunda etapa, também as secretarias municipais de Saúde participarão do treinamento. “A capacitação das pessoas começa este ano e o funcionamento do comitê está previsto para o ano que vem”, adiantou Sobania.

Ações

– A cada acidente de trânsito com vítima, o comitê será acionado. Ele deverá levantar, em um prazo de 24 horas, todos os dados sobre o sinistro. As informações serão analisadas de forma a definir as causas do acidente e sugerir medidas preventivas.

“Às vezes uma árvore ou outro obstáculo tira a visão do motorista, que mesmo trafegando em baixa velocidade pode colidir com outro carro ou pedestre. Só fazendo um levantamento no local, conversando com pessoas que testemunharam a situação será possível tirar uma conclusão sobre o fato e verificar as medidas de prevenção”, esclareceu o secretário.