Segundo o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Everson Krum, 27% dos casos de intoxicações na região Sul são provocados pelo uso inadequado de medicamentos. Até a compra de um simples remédio para gripe ou resfriado sem orientação médica pode trazer sérios problemas à saúde. Amanhã é o Dia Nacional pelo Uso Correto de Medicamentos e estudantes de Farmácia de todo o Estado vão participar de eventos para lembrar a data.

Alice Ferreira da Silva, 61 anos, afirma que nunca compra remédios sem orientação médica. “Preciso saber o que eu estou tomando”, diz. Mas ela reconhece que vai à farmácia atrás de medicamentos para dores de cabeça e até resfriado. Segundo o presidente do CRF, até essa prática comum e de aparência inofensiva pode trazer sérios problemas à saúde. Ele diz que esses sintomas podem ser sinais de doenças mais graves e a automedicação pode agravar o quadro da doença. Dores na cabeça, por exemplo, podem ser sinal de problemas no fígado e até neurológicos, e o resfriado pode ser sinal de rinite alérgica.

Ele aconselha as pessoas a conversarem primeiro com os farmacêuticos para saber se não é melhor procurar ajuda médica para resolver o problema. “Os farmacêuticos têm experiência e estudam para isso”, explica Krum.

Outra situação corriqueira é o uso de remédios quando aparecem sintomas semelhantes aos de outra doença. Foi o que fez Eliana Pedroso, 36 anos. “Tive uma alergia. Depois quando apareceu algo semelhante usei a mesma receita”, diz. Krum condena a medida e explica que é preciso verificar se foi o mesmo agente que causou a segunda alergia. “O remédio é feito conforme o causador do problema”, comenta. Ele ressalta ainda que a população está muito mal informada. Ao receitar um remédio, o médico leva em consideração diversos fatores que compõem o quadro clínico das pessoas.

Legislação

Mesmo com a legislação de 1973, que proibiu a venda de remédios com tarjas vermelha e preta sem a receita médica, a população pode comprar facilmente diversos tipos de antibióticos. Krum explica que isso tem gerado um grande problema. Geralmente, o tratamento não é realizado de modo adequado e as bactérias acabam se fortalecendo. Desse modo, remédios mais fortes e caros precisam ser usados. Mas os farmacêuticos estão sendo orientados a não realizar a “empurroterapia”. “Só vender se realmente for necessário”, diz.

Palestra

Amanhã, a vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias de Portugal, Maria Manuela Teixeira, profere palestra em Curitiba sobre as boas práticas de farmácia. Nos próximos dias, ela falará em Ponta Grossa, Cascavel, Londrina e Maringá. (Elizangela Wroniski)