O trabalho infantil cresceu no Paraná de 2006 para 2007. Enquanto em 2006 10,2% das pessoas na faixa etária dos 10 aos 14 anos estavam ocupadas, no ano passado este índice subiu para 12%.

O dado paranaense supera os índices nacionais, pois em todo o País, a quantidade de crianças trabalhando diminuiu de um ano para o outro. Em 2006, a taxa de ocupação de pessoas na faixa etária entre os 10 e 14 anos era de 10,8%, já em 2007, o índice caiu para 10,1%.

Estes são apenas alguns dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A boa notícia é que em todo o Estado o emprego aumentou. A quantidade de pessoas ocupadas cresceu de 61,8% para 62,1, enquanto no País se manteve praticamente igual de um ano para outro (de 57,2% foi para 57%).

Na taxa de desocupação, outro índice positivo: em 2006, a taxa de desocupação no Paraná era de 6,5%, em 2007 baixou para 5,6%. No Brasil, o quadro é semelhante, baixando de 8,4%, em 2006, para 8,2%, no ano passado.

Ainda neste item, o destaque na Pnad ficou entre os idosos (pessoas com 50 anos ou mais), pois em 2006 eles representavam 2,7% do total de desocupados, em 2007 esse número caiu para 1,9% do total.

Isto significa que a quantidade de idosos no mercado de trabalho paranaense diminuiu de 36,5% para 35,8%, segundo a Pnad. Já no País o índice de idosos se manteve praticamente o mesmo de um ano para outro.

Estudantes

Em contrapartida, enquanto a quantidade de crianças trabalhando aumenta, o número de estudantes no Paraná também cresce, ao contrário do que ocorre no Brasil inteiro.

Enquanto no País a redução de estudantes ficou na ordem de 0,5%, no Paraná houve um acréscimo de 1,76% (pelo menos 176 mil estudantes). Já a taxa de escolarização é desanimadora.

Em 2006 a taxa na faixa etária entre 7 e 14 anos era de 98%, no ano passado caiu para 97,5%. Na faixa etária de 25 anos ou mais, houve queda no número de pessoas que estavam estudando, passando de 5,2% em 2006 para 4,9% em 2007.

Nos serviços básicos, como rede de água, coleta de lixo, rede elétrica e telefone, por exemplo, o Paraná teve índices negativos. Com relação às redes de água, em 2006, 88,2% dos domicílios paranaenses tinham esta cobertura, enquanto que no ano passado, o índice caiu para 83,3%.

O Paraná ficou em quinto lugar entre todos os estados pesquisados do País, em relação à cobertura de redes de água, perdendo para o Rio Grande do Norte, o Sergipe, o Distrito Federal e São Paulo.

Quedas também foram registradas na coleta de lixo, sendo que o índice caiu de 88,7% para 87,5%. Em compensação, as redes de esgoto aumentaram no Paraná, passando de 69,7% dos domicílios, em 2006, para 73,6%, no ano passado.

Distribuição de renda no Estado piorou, segundo dados do IBGE

A distribuição de renda entre os paranaenses em idade economicamente ativa ficou pior de 2006 para 2007. É o que constatou a Pnad 2007.  A pesquisa, que utiliza o índice chamado de Gini para medir essa distribuição, chegou à conclusão de que no Paraná este índice foi de 0,533 em 2007, a nona posição entre todos os estados brasileiros.

Em 2006, o Gini no Estado era de 0,524, sendo que estava em 19.º lugar no País, o que indica que houve uma melhora na distribuição de renda de um ano para outro.

O Gini varia entre zero (quando não há desigualdade) e um. O pior índice, segundo a Pnad, foi constatado no Distrito Federal (0,604), e Santa Catarina o melhor (0,470). Depois do Distrito Federal vem o Piauí (0,599), a Paraíba (0,582), Alagoas (0,569) e o Acre (0,562).

Quando o assunto é o rendimento, os paranaenses obtiveram aumento de 2006 para 2007. Em 2006, o rendimento médio no Paraná era de R$ 1.005,00, no ano passado passou para ,R$ 1.088,00.

O valor é maior do que a média nacional, que ficou em R$ 956,00. Comparando com os outros estados do País, o Paraná está bem colocado, pois perde apenas para o Rio de Janeiro (R$ 1.135,00), São Paulo (R$ 1.212,00) e Santa Catarina  (R$ 1.126,00).

No Distrito Federal foi registrado o maior rendimento médio em 2007, R$ 1.970,00. O menor rendimento médio, segundo a Pnad, ficou com o Piauí (R$ 546,00).

Tanto homens como mulheres tiveram aumento médio da renda de 2006 para 2007. Enquanto em 2006 os homens ganhavam uma média de R$ 1.047,00 e as mulheres R$ 749,00, em 2007 os valores aumentaram para R$ 1.081,00 e R$ 772,00.

O mesmo quadro é verificado no Paraná, cujos números saltaram de R$ 1.175,00 para R$ 1.283,00, para os homens, e de R$ 759,00 para R$ 809,00, para as mulheres.

Sul tem o maior percentual de pessoas não remuneradas

Segundo a Pnad 2007, a região Sul se destaca em alguns setores, tanto positivamente como negativamente. No quesito trabalho, o Sul se destacou tanto  positivamente como negativamente.

Um dos dados negativos ficou por conta do número de pessoas não remuneradas: a região foi a que apresentou o maior percentual de trabalhadores não remunerados, 26,7%, seguida pelo Norte, com 26,1.

Outra constatação da Pnad foi que o número de trabalhadores sem carteira assinada aumentou 3,7% de um ano para outro, contrariando os índices nacionais.

No panorama educacional, as taxas de analfabetismo no Sul são animadoras com relação ao restante do Brasil. Enquanto no Nordeste, por exemplo, a Pnad registrou taxa de 19,9% de analfabetismo, no Sul não passou de 5,4%, a menor taxa do País.

Sobre os analfabetos funcionais, (uma pessoa é considerada alfabetizada funcional se é capaz de utilizar a leitura e a escrita para continuar aprendendo e se aperfeiçoando) as taxas no Sul ficaram praticamente as mesmas em 2006 e 2007.

Em 2006, 16,5% das pessoas com 15 anos ou mais eram analfabetas funcionais, no ano passado, o índice foi de 16,6%. O índice maior de analfabetismo funcional também ficou com o Nordeste (34,4%, em 2006, e 33,5%, em 2007). No que se refere às taxas de desocupação, foi registrada uma queda no Sul, passando de 6%, em 2006, para 5,8%, no ano passado.

Com relação à migração, a região Sul registrou o segundo maior índice de pessoas residentes não naturais dos municípios de moradia, com 44,4%. O Sul perdeu apenas para a região Centro-Oeste, onde 53,1% dos residentes não eram naturais dos municípios em que residiam.