Os baixos salários e a desvalorização da profissão estão fazendo com que, ao longo dos últimos anos, muitos professores da rede estadual de ensino do Paraná venham desistindo de dar aulas e acabem migrando para outras atividades. A constatação é do Sindicato da Associação dos Professores do Paraná (APP-Sindicato).

"Os professores têm procurado principalmente outras profissões ligadas ao serviço público. Estão fazendo concurso para outros cargos que lhes proporcionem maiores rendimentos e valorização profissional", afirma o secretário de assuntos municipais da APP-Sindicato, Edílson de Paula.

Segundo ele, na década de setenta os professores paranaenses tinham rendimentos equivalentes aos de juízes em início de carreira. Hoje, a discrepância é muito grande, pois um professor em início de carreira ganha, em média, R$ 515,00 por 20 horas/aula. Já um que está para se aposentar recebe R$ 1.048,00 pela mesma quantidade de aulas.

"Os professores têm tido dificuldades para conseguir sobreviver com dignidade e também para obter qualificação, pois fazer pesquisa e comprar livros é bastante caro", comenta. "Também é grande o número de professores que, por se sentirem desprestigiados, estão sendo vítimas de estresse e depressão."

Há um ano, o professor Florisvaldo Dias, que vive no município de Nova Aurora, na região Oeste do Paraná, parou de dar aulas para se dedicar inteiramente à atividade de bancário. Ele lecionou durante seis anos, no período da noite. Durante o dia, já se dedicava ao trabalho bancário. "Há um ano, desisti de ser professor porque o Estado queria aumentar meu número de horas/aula. Se isso acontecesse, eu teria que deixar meu trabalho no banco, onde ganho cerca de quatro vezes mais", revela. "Onde trabalho hoje, tenho muito mais vantagens, promoções e oportunidade de construir uma carreira do que como professor."

"Estranha"

O diretor-geral da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Ricardo Fernandes Bezerra, acha estranha a informação da APP-Sindicato de que um grande número de professores está mudando de área. Isso porque, segundo ele, no último concurso realizado para contratação de professores pelo Estado, em 5 de dezembro deste ano, cerca de 36 mil pessoas se inscreveram para concorrer a aproximadamente dez mil vagas. "Existe uma disputa grande pelo cargo, o que demonstra que há interesse da sociedade pela profissão", diz.

De acordo com Ricardo, um Plano de Cargos, Carreiras e Salários, implantado no início do ano, também valorizou a profissão e fez com que os professores encontrassem maior motivação profissional e pudessem crescer na carreira.