O gerente dos Correios, Luiz Sacoman (à
direita): “Nós celebramos, viva à internet!”.

O mês de dezembro é sinônimo de aumento de trabalho para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Mas ao contrário do que se pensa, o volume de cartas pessoais e cartões não supera o trânsito de correspondências comerciais. Nesse mês há um crescimento de 30% na entrega de objetos, e na semana que antecede o Natal, o movimento supera 60%.

A média de entregas feitas pelos Correios no Paraná é de dois milhões de objetos por dia. De acordo com o gerente de operações da empresa, Luiz Claudiomiro Sacoman, o crescimento registrado em dezembro é histórico, e já começa a ser repetido em outros meses do ano. “Em janeiro, por exemplo, o movimento é quase igual a dezembro, em função de outros produtos, como entrega de carnês do IPTU e IPVA”, disse. Hoje as correspondências comerciais respondem por 97% do total de objetos entregues pelos Correios.

A popularização da internet também foi um fator que ajudou a reforçar o crescimento. O subgerente de planejamento e gestão operacional dos Correios, Orlando Martins do Santos, disse que além de ser um meio de mensagens, ela abriu muitas oportunidades para comércio eletrônico. “E tudo que é comercializado precisa ser entregue. Por isso que nós comemoramos: viva à internet!”, brinca. Segundo ele, os Correios acompanham o movimento econômico do País, pois quanto mais se vende, maior é a movimentação de objetos.

Como esse movimento tem sido crescente ao longo do ano, a empresa conta com uma capacidade instalada que tem condições de absorver os picos de maior movimento, como a do final do ano. Sacoman destaca que todo o efetivo de funcionários integra um plano operacional que inclui horas extras e não liberação para período de férias, o que dispensa a necessidade de contratações temporárias.

Cartões

Os Correios também esperam um aumento de 30% no volume de aerogramas de Natal. Para diversificar as opções, a empresa está lançando em 2003 cartões de final de ano. Os dois produtos devem movimentar 650 mil unidades vendidas. O chefe da seção de avaliação comercial dos Correios, Celso Luís Pinheiro da Silva, afirma que esse tipo de produto é uma tradição da empresa – existe há mais de vinte anos. “Além do baixo custo, eles já vêm com franquia de postagem, se tornando uma opção atraente”, disse. Os aerogramas estão sendo vendidos nos Correios desde outubro por R$ 0,99 a unidade, e os cartões estarão à disposição nas agências a partir desta semana. Eles vão custar R$ 2,50 e R$ 5,00.

Papai Noel presenteia o povo

Há pouco mais de vinte dias do Natal, o Papai Noel dos Correios já recebeu – somente em Curitiba – 212 cartas de pessoas que esperam ter seu pedido atendido pelo ?bom velhinho? – ou por algum amigo dele. A expectativa da empresa para este ano é de receber cinco mil cartas, contra 2.441 do ano passado, das quais, 22% foram atendidas. Para poder ampliar esse número, os Correios esperam contar com uma maior participação da comunidade.

Para isso, estará montando na agência da Rua João Negrão o “Cantinho do Papai Noel”, onde as pessoas poderão conferir as cartas e os pedidos, e eleger quais poderão ajudar. “A idéia é envolver um maior número de pessoas para que mais cartas possam ser atendidas”, disse a coordenadora do projeto Papai Noel dos Correios, Kathia Mayewski. Em 2002, em Curitiba, 196 pedidos foram atendidos pela comunidade, 278 pelos funcionários dos Correios, e 306 não puderam nem ser respondidas porque não continham o endereço. Já no Paraná, das 5.070 cartas recebidas no ano passado, 50% foram atendidas, sendo a maioria – 1.146 – por funcionários dos Correios.

O projeto Papai Noel dos Correios virou uma ação corporativa da empresa a partir de 1996, já que antes disso o volume de cartas recebidas era pequeno. “Muitas cartas eram atendidas pelos próprios funcionários, que se uniam para melhorar o Natal dessas pessoas. Mas como o volume cresceu, foi preciso montar um projeto”, disse Kathia. Entre os pedidos estão brinquedos, roupas, comida, emprego e até namorado. Algumas pessoas escrevem todos os anos, e mesmo que não sejam atendidas, recebem uma carta do Papai Noel. A maioria tem entre 6 e 10 anos, e mora nas regiões mais carentes da capital.