Em Paranaguá, a celebração de Corpus Christi terá um enredo bastante peculiar este ano. Unindo fé e história, a Festa da Eucaristia será marca por uma procissão do Santíssimo Sacramento, às 16 horas, entre a Catedral Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade, e o Santuário Estadual de Nossa Senhora do Rocio, às margens da baía de Paranaguá.

A Catedral do Rosário foi a primeira Igreja erguida em solo paranaense, tornando-se também a primeira paróquia do Estado, 1654. Já o Santuário do Rocio é o retrato de uma devoção centenária dos paranaenses, com referências que datam do século XVII. Assim, além do motivo maior que é celebrar o Corpo de Cristo, a procissão também estará resgatando o aspecto histórico e a influência dessas estruturas religiosas sobre o Paraná, lembrando que o Estado teve origem em Paranaguá, ao redor da Igreja do Rosário e do Rocio.

Para o bispo diocesano de Paranaguá, dom Alfredo Novak, a procissão de Corpus Christi, que celebra o Ano da Eucaristia, lançado pelo Papa João Paulo II, ?fará reacender nos corações do povo do litoral maior devoção ao Santíssimo Sacramento?.  Já o padre Joaquim Parron, reitor do Santuário do Rocio, destaca que esta procissão, ligando estas duas Igrejas históricas, ?levará os fiéis a valorizarem mais suas raízes culturais e históricas, que têm profunda espiritualidade católica?.

A solenidade de Corpus Christi foi instituída pelo  Papa Urbano IV, em 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a festa da Santíssima Trindade. Com o Concilio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes que não aceitam a presença real de Cristo na Eucaristia, o Concilio fortaleceu o decreto da instituição da  Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública de  fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

O padre Afonso Tremba, do Santuário do Rocio, explica "que a origem da festa de Corpus Christi remonta ao século XIII, quando a Igreja sentiu a necessidade de realçar a presença  real do Cristo Total, no pão consagrado, para defender o mistério eucarístico contra as heresias que surgiram, colocando dúvidas sobre a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento".