Depois de mais de três meses de angústia para familiares, amigos e religiosos, o padre Adelir de Carli pôde ser velado junto à sua comunidade, em Paranaguá, no litoral do Paraná. O corpo finalmente chegou à cidade, ontem, após ficar 26 dias no Instituto Médico-Legal (IML) de Macaé, no Rio de Janeiro.

Uma missa especial foi realizada na Paróquia São Cristóvão, onde ele atuava. Em seguida, o corpo seguiu a Ampére, no sudoeste do Estado, onde será enterrado hoje pela manhã. O corpo do padre Adelir saiu de Macaé na tarde de ontem. Primeiramente seguiu para Curitiba e somente depois, por volta das 16h, desceu para o litoral de carro.

Mesmo antes do início do velório muitos fiéis já se aglomeravam na Paróquia São Cristóvão. O padre Adelir foi homenageado desde a hora que chegou, sendo recebido com muitas palmas. O momento foi de muita emoção para todos que acompanharam a trajetória do religioso.

Um dos seus amigos, o coordenador da Pastoral Rodoviária, Ernesto Klein, disse que as pessoas estavam muito agoniadas com a falta do padre, mas o momento de maior angústia foi quando o corpo chegou.

“Antes todos nós tínhamos apenas a idéia de que o corpo tinha sido encontrado. Mas depois que chegou a Paranaguá foi como se tudo tivesse se tornado real. É agora que estamos sentindo a perda. É uma tristeza só”, disse ele muito emocionado.

A missa realizada ontem à noite foi co-celebrada, ou seja, vários padres da diocese de Paranaguá foram convidados a participar. A celebração foi rezada pelo padre Bruno Bach, que substitui Adelir desde sua partida.

Ele preferiu não dar entrevistas, pois estava se preparando para a celebração, mas logo que a confirmação do DNA saiu, Bach também relatou, emocionado, que Adelir estava apenas em busca de um sonho. “Era um ideal, e ele acabou até sacrificando a própria vida por isso”, disse.

A missa foi presidida pelo bispo diocesano da cidade, dom João Alves dos Santos. O bispo emérito de Paranaguá, dom Alfredo Novak, também participou da missa. Hoje, centenas de pessoas devem acompanhar o corpo do padre Adelir até Ampére.

Trajetória

No dia 29 de julho, a Polícia Civil de Macaé, no Rio de Janeiro, confirmou que o corpo encontrado na Costa de Maricá (RJ) no dia 3 de julho era do padre Adelir. A dúvida foi sanada por meio de um exame de DNA.

O padre deixou Paranaguá no dia 20 de abril, içado por vários balões. Sua intenção era pousar em Dourados, no Mato Grosso do Sul.  Porém, por conta dos ventos, o padre acabou sendo desviado de seu percurso e desapareceu.

Durante quatro dias, uma equipe da 2.ª Companhia de Aviação da Polícia Militar de Santa Catarina fez buscas desde o litoral de São Francisco do Sul até Florianópolis. A Marinha e a Aeronáutica o procuraram por cerca de uma semana, acreditando que ele poderia estar na região de Penha.

No entanto, o corpo do padre foi encontrado no Rio de Janeiro 74 dias depois do sumiço – a equipe de resgate afirmou que a mudança de percurso do corpo foi possível em função das marés.