A partir de amanhã, os quase 3 milhões de lares paranaenses servidos diretamente pela Copel começam a receber o formulário pelo qual poderão aderir – junto com a empresa, o governo do Estado e o Provopar – ao programa Fome Zero, a maior e mais importante ação social em curso no País.

Com a iniciativa, o Paraná está saindo na frente de outros Estados, tanto na urgência com que está tratando do problema quanto na maneira de angariar recursos. Nessa fase, os consumidores das classes residencial e rural da Copel estão recebendo junto com a conta de luz uma carta que explica o funcionamento do mecanismo de arrecadação e instrui quanto ao preenchimento da autorização. O próprio cliente é quem vai dizer quanto quer doar para a campanha: o formulário traz opções para a doação de 1, 3, 5 e 10 reais por mês e mais um campo em aberto, para ser preenchido por quem se dispuser a assumir um valor diferente daqueles.

É importante que ao preencher a autorização de doação, o consumidor lembre de copiar no espaço apropriado o seu número de identificação na Copel, que aparece no canto superior direito da conta de luz. O valor autorizado será automaticamente debitado nas faturas de consumo subseqüentes.

O formulário é uma carta-reposta que não precisa ser selada e pode ser depositada em qualquer caixa coletora dos Correios. O consumidor só precisará entrar em contato com a Copel caso queira cancelar a doação, o que é possível a qualquer momento: basta telefonar para 0800-643-5665 (a ligação é gratuita).

Idéia a ser copiada

O Fome Zero no Paraná é uma das mais criativas e eficientes formas de envolver a sociedade numa causa urgente como o combate à fome. Colocando a conta de luz como ferramenta à disposição dessa ação pela cidadania, a Copel também pôde levar essa iniciativa como modelo à Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee), e servir como referência para o setor.

“Encaminhamos uma carta ao presidente da Abradee detalhando a proposta e a forma como vamos trabalhar, tudo muito seguro e transparente, esperando que a entidade sirva como multiplicadora para que outras concessionárias façam algo semelhante”, afirma o diretor de planejamento e distribuição da Copel, Ivo Pugnaloni.

A empresa paranaense se dispôs a difundir esse mecanismo entre as 45 distribuidoras de energia vinculadas à Abradee, que no conjunto representam o atendimento a 97% do mercado consumidor de energia elétrica no Brasil.

Fases

O dinheiro arrecadado nessa primeira fase da campanha da Copel já tem destino certo: será usado na implantação do programa de doação de sopa e em iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade de vida das populações do Vale da Ribeira, na região Nordeste do Estado. No entanto, o Fome Zero no Paraná não vai se restringir a essas ações: a exemplo das diretrizes fixadas pelo governo federal para o programa nacional, também no Estado os projetos contemplarão necessidades de ordem emergencial e medidas de caráter estrutural.

A primeira fase é justamente essa que está começando, que visa arrecadar recursos para erradicar a fome, ou seja, uma questão de emergência. Os projetos de auto-sustentação, de maior engajamento e de prazo mais longo, vão ser tratados em outra frente numa segunda fase. “Nesse momento, a prioridade absoluta é reduzir o quadro de fome e miséria, mas já existem projetos estruturais sendo pensados que marcarão o ingresso na fase do exercício de cidadania”, explica Rita Laporte, que coordena a participação da Copel no programa.

Entre os projetos podem ser citados o de fomento à criação e formação de cooperativas e associações comunitárias pelo Provopar, e o de economia solidária proposto pela Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social.