A Cidade Industrial de Curitiba (CIC) é diferente de qualquer outro bairro da capital paranaense. Criada na década de 1970, foi planejada para ser o setor industrial da cidade, mas com o passar dos anos recebeu também centenas de famílias que ocuparam a área irregularmente. Em mais de 43 quilômetros quadrados de área são quase 200 mil habitantes, em várias vilas que passam por processo de regularização, em conjuntos habitacionais da Cohab e demais residências.

Entre tantos problemas decorrentes da ocupação desordenada, o administrador da Regional da CIC, José Dirceu de Matos, afirma que muito foi feito, mas ainda aponta duas situações que precisam receber atenção especial do prefeito eleito Gustavo Fruet. O maior problema de todos, segundo Matos, é o Contorno Sul. “Qualquer acidente trava tudo, ninguém passa. Os motoristas não conseguem voltar nem sair do bairro”, diz.

A solução está em debate há anos, mas ainda não saiu do papel e é resultado de uma parceria entre o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Está prevista a criação de uma nova pista na trincheira da Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, além de outras duas pistas no canteiro central, quatro trincheiras e passarelas para pedestres. “Será ótimo para empresários e moradores”, avalia o administrador.

Falta mão de obra qualificada

A integração entre moradores e indústria é outro desafio. Mesmo com uma população numerosa no entorno, as empresas sentem dificuldade em contratar mão de obra qualificada. “Ao lado da indústria não tem mão de obra e as empresas acabam importando os trabalhadores de outros bairros. Hoje temos a necessidade de qualificação e a grande solução para o problema é aliar indústria e moradia”, destaca o administrador da Regional da CIC, José Dirceu de Matos. Os principais ramos que carecem de profissionais são mecânica, mecatrônica e eletrônica.

Também em fase de planejamento, a CIC deve ganhar no próximo ano um espaço dedicado exclusivamente à formação profissional. De acordo com o diretor de planejamento e relações de trabalho da Secretaria Municipal do Trabalho, Aldair Rizzi, até o fim do ano será aberta a licitação o projeto para o Colégio Estadual de Ensino Profissional. “A prefeitura cedeu o terreno, o governo federal irá fazer o investimento para a infraestrutura e o governo estadual fica responsável pela área pedagógica”, explica. Além disso, as empresas e instituições como Sesi e Senai também estarão envolvidas no projeto, para definir diretrizes do que será aplicado a estudantes e trabalhadores.