Política

Conselho de Ética aprova pedido de cassação do deputado Renato Freitas

renato freitas
Deputado Renato Freitas. Foto: Dalie Felberg / ALEP

Em reunião nesta segunda-feira (11/05), o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou o relatório do deputado Márcio Pacheco (Republicanos) que pede a cassação do mandato do deputado Renato Freitas (PT) por quebra de decoro parlamentar.

A análise do Conselho trata da briga de rua entre Freitas e um manobrista, registrada em novembro de 2025, no Centro de Curitiba. O incidente motivou 11 representações distintas contra o deputado. A defesa diz que ele agiu em legítima defesa após o manobrista jogar o carro contra ele e a companheira, que está grávida.

Na última quarta-feira (06/05), o relator do caso, o deputado Márcio Pacheco, já havia apresentado parecer favorável à cassação do mandato de Freitas. Na ocasião, ele justificou o voto com base em três pilares:

  • Vias de fato: uso de violência física no exercício do mandato;
  • Dignidade parlamentar: procedimento que compromete a imagem da representação popular;
  • Incompatibilidade com o decoro: comportamento atentatório às instituições públicas.

Contudo, ao final da leitura do parecer, o deputado estadual Dr. Antenor (PT) solicitou um pedido de vista, o que adiou a análise pelos demais membros do Conselho para esta segunda.

Próximos passos

Com a maioria dos votos do Conselho de Ética pela cassação, o relatório segue para o Conselho de Constituição e Justiça (CCJ) da Alep, que analisará todo o processo. A próxima sessão da CCJ acontece nesta terça-feira (12/05).

Caso a CCJ valide o processo, o pedido de cassação de Freitas deverá ser votado em plenário. Ele poderá perder o mandato se a maioria dos deputados estaduais votar a favor.

A Tribuna do Paraná aguarda manifestação do deputado Renato Freitas.

Freitas teve mandato cassado quando vereador de Curitiba

No dia 05 de agosto de 2022, a Câmara Municipal de Curitiba (CMC) votou pela cassação do mandato de Renato Freitas, que era vereador da capital paranaense nesse período. O processo aconteceu depois que Freitas entrou na Igreja do Rosário, no Centro de Curitiba, em um protesto contra racismo e pelos assassinatos do congolês Moïse Kabagambe e de Durval Teófilo Filho.

Na ocasião, o Conselho de Ética da CMC afirmou que ele perturbou o culto religioso.

Em setembro do mesmo ano, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou o processo de cassação e restabeleceu o mandato de Freitas. Na decisão, Barroso concordou com a defesa do parlamentar de que o processo de cassação deveria ser disciplinado por norma federal e não local.

O ministro também analisou o mérito da decisão do plenário da CMC, dizendo que a punição “importou em restrição ao direito fundamental à liberdade de expressão do parlamentar, exercida em defesa de grupo vulnerável, submetido a constantes episódios de violência”.

Barroso acrescentou que “mesmo sem antecipar julgamentos, é impossível dissociar a cassação do mandato do pano de fundo do racismo estrutural da sociedade brasileira”. Segundo ele, “essa disfunção, ligada ao colonialismo e à escravização em sua origem, se manifesta não apenas em situações de discriminação direta ou intencional, como também na desigualdade de oportunidades e na disparidade de tratamento da população negra”. O ministro disse que “na situação aqui examinada, e talvez não por acaso, o protesto pacífico em favor de vidas negras, feito pelo vereador reclamante dentro de igreja, motivou a primeira cassação de mandato na história da Câmara Municipal de Curitiba”.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google