Problemas relacionados às redes de água e esgoto integram o cotidiano de qualquer cidade, mas as irregularidades nas ligações têm uma parcela considerável de responsabilidade sobre isso. Pelas projeções da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), em torno de 20% das ligações hidrossanitárias (água e esgoto) de Curitiba apresentam irregularidades, mas esse universo compromete 100% da população em diversos tipos de situações, desde o mau cheiro do esgoto, que denuncia alguma “gambiarra” com a galeria de água pluvial, até aumento de custo do tratamento de água e esgoto na cidade.

A gerente de clientes especiais da Sanepar, Siemar de Moura Borges Breda, explica que cada ligação solicitada à empresa é um novo termo de compromisso entre empresa e consumidor, com responsabilidades para ambos. “Do cavalete para dentro é de responsabilidade do cliente o cuidado com a ligação de água”. Já do cavalete para fora, a empresa assume a obrigação de fornecer água tratada após rigoroso controle de qualidade, durante 24 horas, todos os dias do ano.

No caso do esgoto, a responsabilidade da Sanepar é a manutenção da rede de esgoto até o ponto de interligação com o imóvel. As partes internas como sifões, tubos e caixas de passagens são de responsabilidade do cliente. No caso de condomínios, antes da obra os projetos passam por aprovação da empresa. Já em residências novas, isso só ocorre quando a Sanepar é chamada para ligar água e esgoto. “A Sanepar presta orientação para eventuais correções sobre o padrão correto durante toda a obra, mas quando o ramal está totalmente irregular para a ligação, o cliente precisa adequar o projeto para se habilitar às ligações de água e esgotos”, informa Siemar.

Pela Lei de Saneamento 11.445/2007, que se configurou no marco regulatório do saneamento, em moradias que não contam com rede coletora de esgoto, cabe a cada residência manter esse material confinado em fossas e, quando necessário, contratar um caminhão para extravasar. Aí reside um dos gargalos, já que há uma parcela de clientes que liga essa rede as galerias pluviais da prefeitura e um dos resultados é o refluxo do esgoto.

A Sanepar explica que a água da chuva não pode se misturar à rede de esgoto, porque compromete a qualidade do tratamento dispensado pela empresa, uma vez que diminui a concentração de bactérias que fazem esse trabalho. Também não dá para misturar água de poço artesiano com a da Sanepar.

Quem faz uso de água não tratada pela Sanepar precisa contar com uma ligação hidrometrada ao esgoto da Sanepar. “O cliente não gasta com a tarifa de água, mas paga 85% do valor da tarifa de esgoto, já que essa água também é tratada”, explica Siemar.

Monitoramento periódico

Para saber se existe algum vazamento na instalação hidráulica, a principal dica é ficar de olho na conta da Sanepar. Em caso de um consumo acima do normal, é necessário verificar a tubulação.

Com a utilização de um corante, a Sanepar consegue identificar as irregularidades e rastrear o caminho da instalação de água. Os vazamentos ou um consumo abaixo do padrão também podem ser identificados pela aferição dos leituristas.

Só que no caso de se comprovar uma fraude na conta de água, incluindo uso de agulha para violar o ponteiro do hidrômetro, a prática é crime e, além da multa de uma ligação de água mais o valor do consumo estimado, o fraudador pode responder judicialmente.

Defeitos na rede de esgoto são identificados por problemas nas chuvas, com as reclamações de refluxos ou com o mau cheiro, uma vez que, ao contrário das galerias pluviais, que são abertas com as bocas de lobo, as redes coletoras são fechadas e contam apenas com os Poços de Visita (PV), que são fechados com tampas de ferro.