A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) – pertencente ao governo do Estado – questiona o percentual de 15,15% (R$ 1,90) no reajuste das passagens de ônibus do transporte coletivo de Curitiba. Além disso, critica a atitude da presidente da Urbs – empresa que administra o sistema -, Yara Eisenbach, de anunciar a nova tarifa sem a consulta do órgão.

Para Edson Strapasson, secretário de Estado Especial para Assuntos Metropolitanos, o repasse referente à renovação da frota deve ser adiado. Ele sugere o reajuste de 4,7% (aproximadamente R$ 1,73), que seria correspondente ao aumento de 10,20% nos salários dos funcionários do transporte público.

De acordo com Strapasson, a nova tarifa nos municípios da Região Metropolitana, que fazem parte do sistema integrado de transporte, poderá ser aplicada depois da aprovação do governo do Paraná. Caso a Prefeitura de Curitiba autorize novamente o aumento, ele valerá somente para a capital.

O reajuste foi anunciado no final da tarde de sexta-feira e entrou em vigor no domingo. Mas, na segunda-feira, o prefeito em exercício Beto Richa suspendeu o aumento. Strapasson acredita que os estes fatos forçam uma revisão no sistema de transporte coletivo da cidade.

O secretário afirma que a presidente da Urbs atropelou o processo de aumento da passagem. “Ela entrou em contato com a gente na sexta-feira e disse que ia aumentar a tarifa para não resultar em problemas de faturamento na venda de vales, feita entre os dias 25 e 1 explica Strapasson. “A Yara disse que não era justo esperar a nossa autorização. Somente mandou um ofício comunicando um aumento de pelo menos R$ 1,90”, aponta. A presidente declarou, no início da semana, que os cálculos foram realizados pelos técnicos da Urbs e da Comec. O secretário indica que os trabalhos não foram em conjunto. “Nós fizemos o estudo em paralelo”, rabateu.

Mais estudos

Os técnicos da Comec vão reavaliar os estudos até segunda-feira, para que a análise seja apresentada ao governador do Estado, Roberto Requião, que retorna de viagem no início da próxima semana. “Nós temos que preservar o cidadão com um impacto menor”, destaca Strapasson. “Até que ponto é preciso incluir a renovação da frota em janeiro?” Ele sugere que esse repasse seja feito ao longo do ano.

Os índices na planilha de custos também são questionados pela Comec. “Os dados são convencionados. Existem empresas que gastam menos em manutenção do que a Urbs declarou”, afirma Strapasson. “Se o prefeito em exercício não tem certeza dos números, quem tem?”, pergunta.

Para Strapasson, cada aumento no transporte coletivo gera uma diminuição no número de usuários. “Está ocorrendo uma queda no volume de passageiros, que buscam outras alternativas como transporte. As empresas perdem faturamento, mas os ônibus precisam continuar rodando. É um ciclo vicioso”, opina. “Isso pode culminar na queda do sistema e a Urbs precisa preponderar isso.”

Outra solução, de acordo com ele, seria diminuir a margem de lucro das empresas que prestam este serviço. “Só a Urbs autoriza a majoração do quilômetro rodado – índice de pagamento para as empresas. Se demorar um mês, não vai trazer problema. Eles defendem mais o empresariado e menos o povo. Os empresários precisam diminuir essa voracidade”, destaca o secretário.

Sem palavras

A presidente Yara Eisenbach comunicou, por meio de assessoria de imprensa, que não tem nada a declarar sobre as exposições de Strapasson.