Colégios dão bolsa a estudantes carentes

Jovens pertencentes a comunidades mais carentes de Curitiba estão tendo a oportunidade de completar seus estudos em colégio particular. O que antes era apenas um sonho está se tornando realidade graças a boa vontade de instituições de ensino particulares que estão investindo em projetos sociais.

É o caso do Colégio Dom Bosco, que há três anos mantém o projeto de ensino Arquimedes. Por meio desse programa, a instituição oferece vagas em suas turmas, da quinta série do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, para alunos de baixa renda.

Teste seletivo

Os estudantes interessados, cujas famílias não têm condições financeiras para pagar integralmente as mensalidades, são convidados a fazer um teste seletivo, respondendo a questões de Matemática e Português. Também precisam elaborar uma redação de acordo com um tema proposto por professores do colégio.

Em seguida, integrantes da escola analisam os resultados do teste, assim como as condições sócio-econômicas das famílias dos estudantes, que por sua vez apresentam à instituição uma proposta de pagamento das mensalidades conforme suas possibilidades financeiras. “O colégio, a partir do desempenho do aluno no teste seletivo e da verificação das condições sócio-econômicas da família, estuda se aceita ou não a proposta”, explica a diretora da sede Ahu do colégio, Luíza de Cássia Pinto Coelho.

Em observação

Se o aluno for aceito, terá seu comportamento e seu desempenho escolar avaliados. Caso seja reprovado no fim do ano ou apresente problemas de conduta, é eliminado do projeto.

“Chamamos os pais e explicamos os problemas que seus filhos estão enfrentando”, conta a diretora. “Os incentivamos a conversar com os jovens e ajudá-los, explicando sobre a importância de mudarem sua postura para se manterem no projeto.”

Caso não melhore seu desempenho ou sua conduta, o aluno é eliminado. “Felizmente, até hoje, pouquíssimos foram excluídos”, garante Luíza.

Dedicação

Segundo a diretora, os jovens que participam do Arquimedes geralmente são bastante dedicados e responsáveis. Eles costumam valorizar muito a oportunidade de estudar em colégio particular e, algumas vezes, acabam se tornando os melhores alunos de suas turmas.

“Nosso objetivo é preparar estes alunos para o vestibular, proporcionando a eles a chance de entrarem numa boa faculdade”, diz Luíza. “Damos ênfase ao vestibular da UFPR (Universidade Federal do Paraná).” Atualmente, participam do projeto seiscentos estudantes.

Alunos valorizam oportunidade

Cintia Végas

Para os filhos de famílias de baixa renda, estudar em colégio particular é visto como uma forma de realizar o sonho de cursar uma universidade pública. Eles geralmente valorizam a oportunidade que recebem e se esforçam para construir um futuro melhor.

A estudante Juliana Cibi Amorim, de 14 anos, que está na oitava série do ensino fundamental e participa do projeto Arquimedes há dois anos, conta que sempre estudou em colégio público e que seus pais nunca poderiam pagar integralmente uma instituição particular. “Sempre me esforcei bastante nos estudos, mas sabia que em colégio público, por mais que me dedicasse, nunca teria o conhecimento suficiente para passar no vestibular da Federal”, afirma. “Agora, sei que estou sendo bem preparada e que só depende de mim vencer ou não esta batalha.”

Juliana ainda não sabe ao certo que curso superior pretende freqüentar, mas já começa a pensar em Medicina ou Ciências Biológicas. “Desde já estou começando a me preparar para o vestibular. Vou me esforçar muito para passar e retribuir a dedicação de meus pais e também do colégio.”

Já a estudante Daniele Fontana, 17, está no segundo ano do ensino médio e deve prestar vestibular no próximo ano. Ela também está no projeto há dois anos e já sabe que curso superior quer fazer: Medicina. Sonhando alto, Daniele pensa não só em passar no concurso, mas em ser a primeira colocada geral entre os candidatos da UFPR. “Estudando em colégio particular sei que posso sonhar com isso. Estou me esforçando muito e sei que vou conseguir fazer Medicina, por mais difícil que isso possa parecer.”

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