A “coleção” começou com apenas um bichinho. “Alguém jogou uma gatinha aqui no quintal e ela ficou abandonada, dois dias sem comer. Eu fiquei com dó, dei comida e ela não saiu mais daqui. Uma amiga viu, achou que eu gostava de gatos e trouxe mais dois. E daí não parou mais”, conta a mãe de santo.
Criados soltos, os animais foram se reproduzindo, aumentando a gataria a cada ninhada. “Me falaram para castrá-los, mas nunca tive a iniciativa. Agora não estou mais tendo condições de cuidar. É muita despesa com comida, veterinário… Sem falar nas pessoas que não gostam de gatos ou têm alergia e deixam de vir ao terreiro por isso”, diz Iyagunã.
Para quem se incomoda com os bichos, o terreiro não deve ser mesmo um local agradável. “Eles andam por tudo, e a gente tem que ficar o dia inteiro atrás, limpando. Só somem nos dias de festa. Quando o tambor toca, eles desaparecem, mas voltam quando para”, relata a mãe de santo.
Só com ração, Iyagunã calcula uma despesa de cerca de R$ 100 por mês, conta que já foi maior. “Já doei mais de dez gatos. Teve gente que disse pra largar eles no cemitério municipal, mas não quero abandoná-los. As ONGs de proteção aos animais dizem que não têm espaço. Curitiba está desprotegida nessa questão de felinos e de cachorros também”, afirma.
Dos 17 gatos do terreiro, apenas uma fêmea é castrada. Fazer a cirurgia nos demais custaria pelo menos R$ 1 mil. “Por isso estou procurando quem queira ficar com eles. Quem quiser pode ligar ou vir aqui buscar. Tem gato espalhado por toda a parte”, pede a mãe de santo.
O terreiro de Iyagunã fica na Rua Rio Jaguaribe, 1096, no Bairro Alto. O telefone é (41) 3014-8904.