As cobradoras de ônibus do transporte público de Curitiba e região trabalham em clima de tensão e medo. A sensação de insegurança entre as trabalhadoras aumentou na semana passada, quando veio a público o caso da cobradora, de 33 anos, vítima de violência sexual. O crime aconteceu por volta das 5h da manhã na estação-tubo Fanny, na Linha Verde.

De acordo com as cobradoras, a situação ocorrida com a colega de trabalho é consequência da falta de segurança e da vulnerabilidade das estações-tubo. As trabalhadoras afirmam que quase não há policiamento nas canaletas exclusiva para os ônibus. “Os novos tubos têm câmeras, botões de pânico, mas mesmo assim isso não inibe a ação dos bandidos. Eu nunca sofri assalto ou abuso, mas sempre escutamos histórias de violência. Precisava ter mais viaturas passando pelas canaletas e a Guarda Municipal mais presente. A gente vive com medo, mas fazer o quê? Tem que trabalhar”, reclama Rosângela Aparecida Silva, que trabalha no tubo da Moisés Marcondes, na Avenida João Gualberto.

Heliete de Souza é cobradora na estação Roberto Hauer, na Avenida Marechal Floriano Peixoto. Ela conta que a região onde trabalha é muito perigosa e diz que conta apenas com a fé para trabalhar em segurança. “Aqui no tubo só tem eu e as minhas orações. Só Deus garante minha segurança. A polícia quase não passa e às vezes fico muito tempo sozinha. Então, só rezando para não ser assaltada, como muitos dos meus colegas, ou até sofrer uma violência sexual”, explica.

Problema com local e horário

As cobradoras afirmam que é preciso rever os locais e os horários de trabalho. Elas contam que existem tubos em determinados pontos da cidade onde não há a possibilidade da mulher trabalhar. “O caso que aconteceu com a nossa colega na semana passada é exemplo disso. Não pode colocar mulher no meio da Linha Verde para trabalhar ainda de madrugada. Eu, particularmente, gosto de trabalhar cedo, mas em pontos mais movimentados. Na Linha Verde eu não toparia”, diz a cobradora que preferiu não se identificar. “Nos fins de semana é pior, porque o movimento nas ruas diminui muito e quase não tem passageiros. Eu fico até quase uma hora sozinha dentro do tubo e nem passa carro da polícia. Assim fica perfeito para a bandidagem”, desabafa Rosângela Aparecida da Silva.

Allan Costa Pinto
Anderson: apoio.

Segurança das empresas

De acordo com a assessoria de imprensa do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp), as empresas adotam medidas de segurança, sobretudo quando há mulheres trabalhando.

Ainda sobre o episódio da semana passada, o Setransp explicou que o tubo da Linha Verde é um dos que tem infraestrutura diferenciada, que atende até a exigência de banheiros da categoria. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Sinidmoc), que também considerou uma fatalidade o episódio. Segundo o presidente da entidade, Anderson Teixeira, as cobradoras receberam apoio jurídico e psicológico.