Um grupo suspeito de aplicar golpes com a venda de falsos financiamentos e consórcio de veículos foi preso na segunda-feira (15) no bairro do Xaxim, em Curitiba. A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deteve o grupo em um estabelecimento comercial usado para atrair consumidores com a promessa de aprovação imediata de financiamentos e a liberação do veículo na hora.

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Para atrair as vítimas, o grupo fazia anúncios em marketplaces e em redes sociais oferecendo a venda de veículos com crédito facilitado mesmo para quem estivesse negativado – com inadimplência formalizada junto aos órgãos de crédito. Prometia ainda a aprovação imediata do crédito e a liberação do veículo no mesmo instante.

Só que, ao pagar um valor de entrada, eram informadas de que o contrato correspondia à aquisição de carta de crédito de consórcio, e não ao financiamento do veículo prometido. O grupo formalizou a abertura de uma empresa e adotou um endereço no bairro do Xaxim como uma falsa loja, onde aplicava o golpe.

Test drive

“Para dar uma falsa sensação de segurança e legalidade, eles faziam com que o cliente entrasse no veículo e fizesse um test drive”, explicou a delegada da Polícia Civil, Fernanda Moretzsohn. Uma das vítimas testou o carro e foi avisada para que voltasse posteriormente para fechar negócio. Dias depois, ouviu que aquele veículo não estava disponível, e que teria então de pagar uma entrada de R$ 4.500 para que o grupo conseguisse um outro veículo. Só após fazer o pagamento é que ficou sabendo se tratar de uma entrada para um consórcio.

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Os cinco suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de associação criminosa e estelionato. Após os procedimentos de polícia judiciária, eles foram encaminhados ao sistema penitenciário. 

Quatro integrantes do grupo são de Manaus. Eles chegaram a Curitiba em dezembro do ano passado. Uma mulher, apontada como coordenadora do grupo, já tem passagens pela polícia por ter aplicado golpe semelhante na capital do Amazonas. O outro participante é de Santa Catarina. Com o grupo, os agentes apreenderam contratos, documentos, celulares e materiais usados na comercialização dos produtos.

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Além da denúncia da vítima que chegou a fazer o pagamento, que deu início às investigações, a PCPR recebeu também outros chamados sobre a falsa loja pelo Disque-Denúncia 181. E aguarda o contato de outras pessoas que tenham sido atraídas pelo anúncio ou já tenham caído no golpe.

‘Imagem meramente ilustrativa’

A estratégia utilizada pelo grupo é bastante comum, informa Fernanda. “Eles captam os clientes com anúncios falsos, porque eles pegam veículos ou imóveis de sites verdadeiros, montam os anúncios e oferecem veículos e imóveis com crédito facilitado também para negativados, e escrevem ‘imagem meramente ilustrativa’ em letras pequenas porque acreditam que assim estão livre de qualquer responsabilização”.

Para evitar ser vítima desse tipo de golpe, a orientação da delegada é para que consumidores analisem contratos com atenção antes de efetuar pagamentos e leiam todos os documentos antes de realizar transferências. “Dinheiro fácil, crédito aprovado sem análise de crédito, liberação imediata de crédito, de veículos, sem burocracia bancária, normalmente isso não existe no mercado formal”, alerta Fernanda. “A pessoa deve desconfiar disso. Nunca deve fazer transferências, Pix, pagamentos, antes de ler minuciosamente cada cláusula do contrato. Não deve assinar nada sobre pressão”, orienta.