Agricultura

Chuvas atrasam colheita do milho e afetam lavouras de trigo no Paraná

Seca recua no Paraná após chuvas até 120 mm acima da média
Chuvas acima da média melhoram panorama das plantações no Paraná. Foto: Dirceu Portugal | Arquivo Gazeta do Povo

As chuvas registradas em diferentes regiões do Paraná reduziram o ritmo da colheita do milho e também interferiram no desenvolvimento das lavouras de trigo. As precipitações elevam a umidade dos grãos, dificultando e, em alguns casos, paralisando as operações de colheita.

No caso do milho segunda safra, o atraso fica evidente na comparação com o ciclo anterior. Até esta semana, 60% da área cultivada havia sido colhida no Estado, enquanto, no mesmo período da safra passada, o índice chegava a 80%.

Segundo Edmar Gervásio, do Departamento de Economia Rural (Deral), a diferença não é provocada apenas pelas condições meteorológicas. O milho foi plantado mais tarde nesta temporada e, consequentemente, a colheita também começou depois. A sequência de chuvas, porém, dificultou ainda mais o avanço das máquinas nas lavouras.

“De fato, a gente tem um atraso se comparar com a safra anterior. Estamos com uma colheita em torno de 60% da área nesta semana e, na safra passada, por exemplo, a gente estava com 80% colhido”, afirma Gervásio.

Ele explica que os períodos mais prolongados de instabilidade tiveram impacto principalmente sobre a continuidade dos trabalhos. “O principal motivo é que essa safra foi plantada um pouco mais tarde, então, naturalmente, você vai colher um pouco mais tarde. Mas o volume de chuvas que a gente teve no Estado, principalmente chuvas com períodos um pouco mais longos, de três ou quatro dias, acabou prejudicando um avanço mais consistente da colheita”, acrescenta.

Na última semana, voltou a chover em várias regiões produtoras, fazendo com que os trabalhos avançassem abaixo do esperado. De acordo com o relatório de acompanhamento de plantio e colheita divulgado pelo Deral, pouco mais de 1,74 milhão de hectares da segunda safra de milho já foram colhidos. O número representa 60% dos aproximadamente 2,9 milhões de hectares plantados no ciclo 2025/26.

Ritmo da colheita varia entre as regiões

O andamento da colheita apresenta diferenças expressivas dentro do Estado. No Oeste, segunda principal região produtora do milho segunda safra, os trabalhos estão próximos do fim. Mais de 90% dos pouco mais de 941 mil hectares semeados já foram colhidos.

No Norte, que concentra a maior área destinada à cultura, a colheita está menos avançada. Dos mais de 1,02 milhão de hectares plantados, 22% haviam sido colhidos até esta semana.

O percentual menor no Norte também está relacionado ao calendário da cultura. Segundo o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), o plantio nessa região ocorre, em média, mais tarde do que nas demais áreas do Paraná. Por isso, a colheita também é naturalmente deslocada para um período posterior.

A previsão para os próximos dias, no entanto, pode favorecer os produtores. O Simepar indica chuvas isoladas e de baixo volume nas principais regiões que ainda têm áreas de milho a serem colhidas. Caso a previsão se confirme, a expectativa é de uma aceleração dos trabalhos no campo.

Trigo também sente os efeitos da chuva

Nas lavouras de trigo, as chuvas frequentes também têm interferido no desenvolvimento da cultura. Como as áreas se encontram em diferentes estágios no Paraná, os efeitos variam de acordo com a região e com o período em que ocorreu o plantio.

A evolução das condições meteorológicas nas próximas semanas será importante tanto para permitir a conclusão da colheita do milho quanto para o desenvolvimento das lavouras de trigo no Estado.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google