Depois das fortes chuvas, as autoridades de saúde do Paraná alertam para o cuidado com a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, e de casos de leptospirose.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o tempo alternado entre sol e chuva é propício para que o mosquito da dengue se reproduza. Em todo o Paraná, esses primeiros meses do ano já registraram quase 8 mil casos de dengue, sendo 7,5 mil autóctones (adquiridos no próprio Estado) e seis mortes. Os municípios com mais casos da doença são: Foz do Iguaçu (1.264 casos), Maringá (851) e Medianeira (833).

Muito disso é em decorrência do verão chuvoso e da continuidade dessas chuvas nas últimas semanas, segundo o diretor de saúde ambiental da Secretaria de Saúde de Curitiba, Sezifredo Paz.

“Com essa situação, intensificamos a recomendação para que as pessoas verifiquem água parada em suas casas, mesmo em recipientes pequenos e em pequena quantidade. A cada cinco ou seis dias deve-se verificar calhas e qualquer objeto que possa acumular água”, orienta.

Mesmo que a água seja retirada, os ovos do mosquito podem permanecer no local por até 450 dias. “Para limpar os recipientes que continham água parada e eliminar os ovos do mosquito é preciso lavá-los com escova ou esponja embebidos em detergente”, completa o superintendente de Vigilância em Saúde da Sesa, José Lúcio dos Santos.

Só em Curitiba, neste ano já houve 161 notificações de casos e 47 focos da doença, a maioria deles em ferros-velhos, transportadoras e recuperadoras de pneus. Todos os 30 casos de doentes confirmados na capital adquiriram a doença fora da cidade.

Leptospirose

Outra doença que merece a atenção após as enchentes é a leptospirose, causada por uma bactéria presente na urina de ratos e ratazanas. Nas enchentes, ela se mistura à água de valetas, lama, lagoas e cavas.

“A bactéria penetra no corpo por meio de pequenos ferimentos na pele ou pela pele que esteve muito tempo em contato com a água. Os pacientes devem procurar o serviço de saúde tão logo os primeiros sintomas apareçam”, esclarece a chefe da Divisão de Zoonoses da Sesa, Gisélia Rubio. Neste ano, já foram registrados 55 casos no Estado, dos quais 12 levaram as vítimas à morte.

Os sintomas da doença podem demorar até 14 dias após o contato com água ou lama contaminada para aparecer. Os principais sintomas são febre alta, mal-estar, dores de cabeça constantes e intensas, dores pelo corpo, principalmente na panturrilha, cansaço e calafrios.

Também podem aparecer dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia e desidratação, além de os olhos ficarem amarelados ou alaranjados. Após dois ou três dias de melhora, os sintomas podem retornar e evoluir de maneira muito rápida.