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Paraná

Chumbo contaminou crianças em Adrianópolis

  • Por Guilherme Luís Voitch

Centenas de crianças de Adrianópolis, no Vale da Ribeira, estão contaminadas com chumbo, sendo que algumas apresentam uma porcentagem do elemento no sangue até duas vezes maior que o máximo permitido pelas determinações internacionais ? 10 miligramas por decilitro de sangue, segundo o Center of Disease Control and Prevention (CDC).

As conclusões estão no trabalho de doutorado da geóloga Fernanda Cunha. O trabalho, apresentado à Unicamp, em parceria com a professora Monica Paoliello, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), sob orientação do professor Eduardo Capitani, foi divulgado no mês passado e comprovou a contaminação de crianças com o chumbo em Adrianópolis e em mais dois municípios vizinhos do Vale da Ribeira, do lado paulista ? Ribeira e Iporanga.

O levantamento levou dois anos. Foram colhidas amostras de sangue de 335 crianças de 7 a 14 anos, matriculadas nas escolas municipais dos municípios paulistas e paranaenses. O município de Cerro Azul foi escolhido para servir de contraprova ao teste. Apesar de também estar no Vale da Ribeira, a cidade não teve exploração de mineração e refinamento, como os demais municípios. As duas cidades paulistas apresentaram porcentagens altas de incidência de chumbo. No Paraná, 100% dos pesquisados em Cerro Azul obtiveram resultados que não indicam contaminação por chumbo. Em Adrianópolis, na zona urbana, 13% das criança pesquisadas apresentaram uma porcentagem do elemento no sangue maior que o recomendado. Nas áreas rurais da cidade a situação é ainda mais preocupante. Nos distritos de Vila Mota e Capelinha, próximos de onde funcionava as instalações da Plumbum, 59,6% das crianças apresentam índices perigosos, sendo que 9,6% apresentam índices de nível III, considerado extremamente danoso à saúde.

Relação

Paralelamente à coleta de sangue nas crianças, Fernanda coletou amostras de solo e de água na região. Os estudos demonstraram que a água do rio Ribeira, que corta a cidade, não foi o responsável pela contaminação. “Os índices ficaram em 0,006 miligramas por litro quando o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece 0,03 miligramas por litro como padrão permitido”, explicou.

A causa do problema estaria nas concentrações de chumbo no solo, chegando até 916 microgramas por grama de solo. Os índices aumentam nas proximidade das instalações da Plumbum. “Os resultados sugerem que a distribuição do chumbo nos solos reflete a emissão de partículas pela refinaria Plumbum”, explica Fernanda. Esses fatores levaram ao enriquecimento de chumbo na camada superficial dos solos próximos à Plumbum, em Vila Mota e Capelinha.

Criança retém mais o metal

Guilherme Voitch

O chumbo pode ser absorvido por inalação da poeira emitida na atmosfera ou pela ingestão de resíduos espalhados no solo. O adulto só absorve 10% do chumbo ingerido; já a criança pode reter de 40% a 50%. A contaminação pelo metal em grande quantidade pode levar a distúrbios de comportamento, como dificuldade de concentração, aprendizado e hiperatividade; em casos mais graves pode provocar encefalopatias.

A deficiência de ferro e cálcio na alimentação aumenta a absorção de chumbo no organismo infantil, podendo causar a anemia. O chumbo se acumula nos ossos e nos dentes.

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