As apresentações, ontem no centro
da capital, atraíram uma multidão.

Os chineses e descendentes comemoraram ontem o início do ano de 4700. Pela tradição, é o ano do carneiro, que simboliza a paz, serenidade e sensibilidade. Na capital, uma festa na Boca Maldita, no centro de Curitiba, marcou a data, com apresentações artísticas, danças folclóricas e lutas tradicionais, como o kung-fu. Hoje, na sede da Associação Cultural Chinesa do Paraná, no bairro Santa Quitéria, a programação terá continuidade com uma feira gastronômica.

O Ano Novo Chinês tem como base o ano lunar, e por isso é que anualmente ele é comemorado em uma data diferente, pois é calculado a cada 355 dias. Em 2004 será no dia 21 de janeiro. De acordo com o presidente executivo da Associação Cultural, Willian Man, a tradição indica que cada ano deve ser representado por um animal. O presidente honorário da entidade, Liu Kai, explica que ao todo são doze animais escolhidos, e cada um tem um significado diferente. “Quem nasce, por exemplo, no ano do carneiro, terá inclinação para as artes, sendo favorecido pela criatividade e sensibilidade”, afirma. Kai revela que existem muitas lendas sobre essa tradição, mas nenhuma que possa afirmar com certeza o porquê desses animais que representam o ano.

Abertura

A comemoração do Ano Novo chinês é milenar. Em Curitiba, é a segunda vez que a Associação Cultural abre a festa ao público em geral. “Queremos com isso, mostrar toda a cultura e tradições da China, um país que sempre despertou muito interesse nas pessoas”, disse Willian Man. Ele adiantou que a entidade inicia em março uma série de atividades – como palestras, cursos e oficinas – voltadas à comunidade para difundir ainda mais a cultura. A primeira palestra acontece dia 16 de março, quando será feita uma introdução sobre a cultura chinesa, e diferenças com a cultura ocidental.

Serviço: Outras informações podem ser obtidas na sede da Associação Cultural Chinesa do Paraná, na Rua Pretextato Taborda, 1813, Santa Quitéria, ou pelo telefone (41) 329-2463.

Grupos étnicos divulgam culturas

A grande diversidade de origem do povo paranaense é facilmente notada nas ruas, onde descendentes de japoneses, alemães, italianos, ucranianos são comuns entre os transeuntes. Porém, as manifestações culturais de diversas etnias podem ser conhecidas mais a fundo através de grupos étnicos espalhados por todo o Estado. Desde 1974 existe a Associação Inter-Étnica do Paraná, composta por dezoito grupos de onze etnias (germânica, ucraniana, espanhol, polonesa, grega, israelita, italiana, japonesa, holandesa, portuguesa e brasileira), que divulga a cultura dos povos formadores do povo do Paraná.

O presidente da associação e diretor do Folclore Ucraniano Barvinok, Rogério Berbeki Figueiredo, explicou que todos os grupos oferecem atividades de artesanato, folclore, dança e ensino da língua. Para participar, Figueiredo recomendou que se procure cada grupo, pois horários e taxas são definidas independemente. No grupo ucraniano, do qual ele faz parte, os cursos de língua, por exemplo, são dados gratuitamente para crianças até doze anos. “No caso dos adultos, há uma vinculação com o Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nesse caso, há um custo por semestre”, contou.

Figueiredo disse que uma das principais atividades da associação é a realização do Festival Folclórico de Etnias do Estado do Paraná, realizado há 42 anos. Desta vez ele será no meio do ano, no Teatro Guaíra.

O presidente da associação contou que cada grupo folclórico é composto por cerca de duzentas pessoas. “Os grupos de descendentes que aparecem mais no Estado são os de italianos e japoneses, seguidos de germânicos, poloneses e ucranianos”, comentou Figueiredo.

As pessoas interessadas em conhecer mais sobre a associação podem entrar em contato pelo telefone (41) 322-9433 ou pelo e-mail rogeriodenipro@onda.com.br. (Lawrence Manoel)