Cerol é um perigo para a população

Uma brincadeira aparentemente inocente pode significar grande risco à população. A soltura de pipas, quando realizada com utilização de cerol (uma mistura de cola com caco de vidro moído) nos fios, é capaz de resultar em acidentes graves a ciclistas, motociclistas e mesmos pedestres desavisados.

Muitas pessoas que costumam soltar pipas têm o hábito de colocar cerol nos fios das mesmas, para que a linha se torne cortante e seja capaz de derrubar pipas adversárias. O problema é que, desta forma, a linha também se torna capaz de cortar a pele de pessoas e mesmo degolar alguém que passe em alta velocidade e não a enxergue.

"Volte e meia acontece de atendermos pessoas feridas com linhas de pipas", comenta o cirurgião e gerente do pronto-socorro do Hospital Cajuru, em Curitiba, Vinícius Filipak. "Quando é colocado cerol nos fios, eles ficam encorpados, se tornam cortantes como lâminas e passam a ferir como se fossem facas."

No Bairro Alto, também na capital, brincadeiras com pipas envolvendo o uso do cerol são uma grande preocupação da população. Freqüentemente, moradores do local flagram crianças e adolescentes passando o produto em linhas esticadas em árvores, postes e portões. "Na semana passada, vi um garoto passando cerol em uma linha nas proximidades de minha casa. Fui conversar com ele e alertá-lo sobre os perigos que isto pode representar", conta a moradora do bairro, Janice Allen.

No local onde Janice trabalha, o Lar Fabiano de Cristo -Unidade de Proteção Integral à Família Joana Dark, que fica no Bairro Alto, a preocupação com a questão é tão alta que pessoas voluntárias chegaram a criar um programa de prevenção voltado às crianças. "Abordamos os riscos do uso do cerol através da demonstração de matérias sobre o assunto publicadas em jornais e de desenhos que as próprias crianças são convidadas a fazer", explica.

Em Curitiba, em 14 de junho do ano passado, foi sancionada pelo prefeito Beto Richa uma lei, número 11435, cujo conteúdo proíbe o uso de cerol em fios de pipas, fixando multa de R$ 500,00 para os infratores e o dobro em caso de reincidência. Porém, a lei ainda não foi regulamentada. 

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