Um grupo de atletas cegos do time de Goalball de Foz do Iguaçu participou de uma experiência sensorial inovadora no Parque das Aves, localizado na região das Cataratas do Iguaçu. Durante a visita, realizada nesta semana, os participantes puderam testar uma nova tecnologia desenvolvida pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) chamada NarrAi.
O NarrAi é um crachá equipado com inteligência artificial que captura imagens do ambiente e as descreve por voz, fornecendo detalhes como cores, objetos e luzes. Esta tecnologia complementa os sentidos já utilizados pelos visitantes cegos, como audição, olfato e tato, para perceber o ambiente ao seu redor.
Pedro de Abreu da Silva, um dos participantes cego de nascença, comentou sobre a experiência: “Sentimos as coisas através do calor do sol, dos sinais da natureza, o balançar das folhas, o barulho das águas, e todos os sons dos pássaros. A descrição de áudio ajuda a aguçar a nossa imaginação. Através dela, conseguimos juntar o que imaginamos com o que ouvimos.”
O Parque das Aves, um dos únicos do mundo focado na conservação das aves da Mata Atlântica, oferece seis viveiros de imersão com diversas espécies, incluindo jacutingas, tucanos, araras e flamingos. A visita do grupo de Goalball faz parte dos esforços do parque para melhorar a acessibilidade de suas instalações.
O protótipo do NarrAi, ainda em desenvolvimento, já recebeu reconhecimento ao ganhar o Prêmio Paranaense de Ciência e Tecnologia na categoria Inventor Independente. Gustavo Camargo Domingues, estudante responsável pelo projeto, participará da pré-incubadora Unihub Foz do Iguaçu para transformar a ideia em um modelo de negócio.
O professor Cláudio Roberto Marquetto, coordenador do projeto, explicou que o teste no Parque das Aves ajudou a identificar desafios, como áreas com menor contraste de cores ou baixo alcance de Wi-Fi, que podem afetar o desempenho do dispositivo. Essas observações serão usadas para aprimorar a tecnologia.
Além do NarrAi, o Parque das Aves tem implementado outras medidas de acessibilidade, como o empréstimo de cadeiras de rodas e a disponibilização de amostras táteis de bicos, patas e ossos de animais. A instituição continua buscando formas de tornar a experiência mais inclusiva para todos os visitantes.



