A Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) finaliza nesta quarta-feira o reassentamento de 200 famílias no conjunto residencial Moradias Boa Esperança I, no bairro Tatuquara. Muitos moradores, beneficiários do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, já se mudaram para o novo endereço e se depararam com problemas na infraestrutura do local.

As rachaduras na estrutura incomodaram os novos moradores. Elas são percebidas dentro e fora dos sobrados, passando de um metro de altura em alguns casos. Também são comuns os relatos de problemas no escoamento da água ocasionado por canos entupidos, bem como a falta de luz nas unidades em que a ligação ainda não foi feita.

Além dos vícios construtivos, algumas famílias em situação especial reclamam que não foram atendidas pela companhia. Pessoas com problemas físicos e dificuldade de locomoção solicitaram casas térreas, mas foram direcionadas aos sobrados, onde terão que encarar uma escada diariamente. É o caso de Vivian de Fátima Kuwaki, 42, que sofre de artrite e artrose. “Fico morrendo de dor quando subo as escadas. Não sei como vou fazer quando tiver que fazer a cirurgia na bacia”, questiona.

As casas de 45 metros quadrados possuem dois quartos, mas na maioria dos casos abrigam famílias numerosas. Por conta do espaço reduzido, alguns moradores se recusaram a deixar a área de invasão. “Ficamos em contato com a Cohab durante quatro anos, que mapeou todas as famílias, mas não atendeu nossas necessidades”, lamenta o líder comunitário Mario Garcia, que antes morava na Vila Belo Ar, no CIC. O pagamento das casas será feito durante dez anos, com parcelas que correspondem a 10% da renda familiar.

Sorteio

A Cohab afirmou que a distribuição das casas seis térrea disponíveis no conjunto foi feita por meio de sorteio, no qual participaram 24 famílias. As que não foram contempladas puderam escolher as casas de esquina, que possuem terreno maior, ou aguardar um novo reassentamento, que será feito no Parque Iguaçu. Em relação aos documentos de escritura que alguns moradores afirmam possuir, o argumento é que se trata de recibos de compra do lote, porém, sem reconhecimento pelo município. Já a Caixa Econômica Federal, responsável pelo programa, afirmou que todas as reclamações na estrutura das residências serão atendidas pela construtora.