Depois de três filhos biológicos e um problema no parto do último, Ozair Ribeiro, capitão do Corpo de Bombeiros, e sua esposa Rosicler decidiram adotar mais crianças. “Sempre quisemos uma família numerosa. As complicações no parto geraram a dificuldade em ter filhos e, com ela, uma frustração muito grande. A adoção surgiu de forma natural”, conta. Assim, a família foi ganhando mais membros ao longo dos anos. Atualmente, Ribeiro tem 22 filhos no total – 5 meninas e 17 meninos, entre 7 e 20 anos. Toda a família é sustentada apenas com os salários dos pais, tornando-se um belo exemplo hoje, Dia Nacional da Adoção.

A primeira adoção aconteceu em julho de 1993, quando ele fez o salvamento de um bebê. Ribeiro não quis contar as circunstâncias do resgate, mas a criança despertou um grande carinho nele, o que o motivou a procurar o processo legal para integrá-la à família. Os outros filhos vieram aos poucos, de orfanatos ou das ruas. Quando adotados, todos tinham idade mais avançada para os padrões impostos pela sociedade. “As pessoas querem adotar um recém-nascido, loiro, com olhos azuis. É possível adotar crianças mais velhas”, explica.

De acordo com Ribeiro, muita gente pensa que é complicado adotar crianças que moram nas ruas. A imagem delas, ligada a furtos, roubos e uso de drogas, prejudica a intenção de incorporá-las. “Confesso que é preciso um pouco de paciência e muito amor no começo, mas elas retribuem tudo. São mais gratos e fáceis de lidar do que os biológicos, que nunca passaram dificuldades ou precisaram disputar um prato de comida”, indica. Para ele, no final das contas, todo o esforço dispensado compensa o amor recebido. Ribeiro não sabe se vai parar de ter filhos. “Faço as coisas naturalmente. Não tenho preocupação numérica. Apenas sigo o meu coração”, afirma.

Burocracia

Muitas pessoas interessadas em adotar criticam o processo nas varas da infância, considerando-o muito burocrático. Esse pensamento também era compartilhado por Ribeiro na primeira adoção, mas ao longo dos anos, ele percebeu que a morosidade tem razão. “A Justiça não vai saber de uma hora para outra se a família tem condições de receber a criança. Isso é uma proteção para todos os envolvidos”, avalia.

Ribeiro critica a postura de algumas famílias que adotam crianças pensando apenas nelas. “Infelizmente há uma grande parcela que quer adotar para resolver problemas pessoais, que não podem ter ou o filho faleceu. As pessoas precisam pensar em resolver os problemas das crianças, pois elas é que necessitam ajuda”, esclarece.

Números sobre adoção:
Filhos
47% dos filhos adotivos não têm nenhuma informação sobre sua origem;
37% receberam poucas e vagas informações: de que cidade vieram, se seus pais biológicos estão vivos, etc;
62% não têm informações de seus pais biológicos;
58% não conhecem ou não gostariam de conhecê-los;
10% nutrem um sentimento positivo sobre a família biológica;
35% conheceram ou gostariam de conhecer pessoalmente seus pais biológicos;
60% são meninas;
69% eram recém-nascidos na época da adoção;
69% sempre souberam que eram adotivos.
Pais
91% estavam casados na época da adoção;
55% não podiam ter filhos;
45% já tinham filhos biológicos;
40% têm curso superior completo;
50% recebem mais de 1.500 reais por mês.
Fonte: Projeto Criança/UFPR