Foto: Fábio Alexandre
Cláudio Maiolino é professor de Arquitetura da PUCPR.

A Casa Estrela, um dos exemplares mais típicos da arquitetura de madeira de Curitiba, foi toda desmontada e será reconstruída e restaurada nas dependências da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A construção servirá de apoio pedagógico ao curso de Arquitetura da universidade, mas também tem outra função muito importante, segundo os arquitetos: preservar um local cujo teto é uma estrela de cinco pontas, uma alusão ao esperanto e aos cinco continentes em torno deste tipo de linguagem. Sem falar que não há nenhum ângulo de 90 graus no local, o que é raro encontrar em construções.

?A Casa Estrela provavelmente seja o único edifício construído nesses padrões em Curitiba?, destacou o professor do curso de Arquitetura da PUCPR e responsável pelo restauro, Cláudio Maiolino. A casa, construída na década de 30, se localizava no bairro Alto da Glória, próximo à Igreja do Perpétuo Socorro. No começo do ano passado, estudantes e arquitetos da universidade iniciaram o trabalho minucioso de desmonte, madeira por madeira, pedra por pedra. Todas as peças foram identificadas para que não se peque na remontagem e no restauro. Hoje todo o material está na PUC, dentro de um bosque, onde ela será levantada. O professor disse que o trabalho de reconstrução deverá durar de um ano a um ano e meio. ?A madeira sofreu um processo de apodrecimento, o telhado também foi prejudicado por galhos que caíam sobre ele e com a ação do tempo, mas depois de reconstruída será um excelente laboratório para nossos alunos?, disse o professor. Ele lembrou que esse processo de relocação não é o mais recomendável quando se trata de uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP). ?Mas as condições da casa nos obrigaram a isso?, disse.

A Casa Estrela foi construída pelo contador Augusto Gonçalves de Castro, que era conhecedor do esperanto e adepto da teosofia (mistura de budismo, hinduísmo e hermetismo). São cinco peças em cima e cinco, embaixo. Todas terminam em uma área central. Pequenas modificações foram feitas na construção com o passar dos anos, provavelmente para acomodar melhor a família. O local serviu de habitação até os anos 90s.