Curitiba quer se transformar na “Capital do Natal”. Porém, neste ano, não vai contar com uma das suas tradicionais atrações. Por falta de apoio, a empresária Zélia da Silva não irá montar a Casa do Papai Noel, que há treze anos atraía uma média de 40 mil visitantes ao bairro Bacacheri. Além de ser um dos pontos turísticos da época, a empresária também colaborava com o Natal de pessoas carentes, já que a entrada era um quilo de alimento.
Quem passa pelo endereço, ao invés da movimentação dos 15 funcionários que trabalhavam na montagem, manutenção e atendimento da casa, vê apenas uma faixa que diz: “Natal – Por falta de apoio não teremos decoração”. A empresária comenta que o trabalho começava no mês de agosto para tudo estar pronto no dia 25 de novembro – com visitação diária até dia 6 de janeiro.
Nesses treze anos a empresária era a única patrocinadora do projeto, que começou com uma decoração para as festas de final de ano da família. Como as despesas ficaram muitas altas, ela não teve mais condições de arcar com tudo sozinha. Zélia comenta que só de energia elétrica gastava em torno de R$ 7 mil, além das despesas com os funcionários e a renovação da decoração. “Todos os anos criávamos temas novos para atrair os visitantes”, comentou.
Durante esse período, em apenas dois anos, contou com a redução em 60% na conta da energia, graças a um acordo feito entre a Copel e o Instituto Pró-Cidadania, que era beneficiado com a arrecadação de alimentos. Para a montagem deste ano, a empresária procurou um órgão da Prefeitura para pedir apoio, mas a resposta foi negativa.
Diante disso, Zélia desistiu da fazer a decoração e diz, emocionada, que o Natal neste ano não terá a mesma magia. “Todas as noites a casa era tomada por uma energia mágica. Todos se preparavam para receber as palavras abençoadas e elogios dos visitantes. Mas neste ano o Natal terá um vazio”, falou. Mesmo que Zélia conseguisse apoio, agora não daria mais tempo de montar a decoração, pois somente de luzes são mais de 200 mil lâmpadas.
Privado
O presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba (CIC), Paulo Henrique Munhoz da Rocha, disse que a Prefeitura não pode investir recursos públicos em um empreendimento privado. “O que podemos fazer é dar apoio institucional”, comentou, acrescentando que todos os anos o município, através da Diretran, disponibiliza agentes para orientar o trânsito na região do Bacacheri. Ele negou que tenha sido procurado pela empresária na solicitação de apoio, e disse estranhar a faixa colocada em frente à casa. “Ela está querendo culpar a quem?”, questionou. Uma alternativa para o próximo ano, diz Munhoz da Rocha, seria a empresária procurar um patrocínio de uma empresa privada.