A Câmara Federal pretende enviar aos Estados Unidos uma comissão parlamentar para acompanhar de perto as investigações em torno do desaparecimento da estudante Carla Vicentini, que há 22 dias não mantém contato com a família, que mora em Goioerê, Oeste do Paraná. No entanto, o aval para a ida da comissão deve vir do contato entre a Polícia Federal e a Interpol, pleiteando possibilidade e apoio logístico de haver o acompanhamento. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a imprensa destinada à comunidade brasileira abre espaço para divulgar fotos de Carla e o retrato falado do suspeito que estava com a garota na noite de seu desaparecimento.
O apelo para o envio de parlamentares aos EUA partiu do deputado federal Hermes Parcianello (PMDB-PR) há uma semana, durante pronunciamento na tribuna. De acordo com o assessor jurídico da Câmara dos Deputados, Marcos Vasconcellos, o presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP) está sensibilizado com a questão e concorda em mandar pelo menos dois deputados para o país, mas esbarra na possibilidade burocrática de viabilizar o processo. ?O simples fato de Aldo autorizar não dá o respaldo. Os contatos foram feitos com o Itamaraty e, agora, a presidência da Câmara pediu que o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) interviesse junto à Interpol, através da Polícia Federal. A Câmara está preocupada porque trata-se de uma cidadã brasileira?, explica.
Quanto ao andamento das negociações, a probabilidade é que a definição venha dentro de alguns dias. É o que afirma o assessor do ministro Thomaz Bastos, Paulo Pires. ?Acredito que na semana que vem a Polícia Federal diga se pode ser feito ou não dessa forma. Aguardamos que a Interpol dê a visão policial de como o Congresso pode acompanhar as investigações.?
Para o deputado Hermes Parcianello, que é amigo da família de Carla, a presença de uma comissão certamente apressaria o encontro da estudante. ?A articulação política vai no sentido de tensionar a diplomacia brasileira para que vá em defesa de uma cidadã. Tendo uma comissão lá em nome do parlamento brasileiro, vamos conversar com autoridades responsáveis pelos assunto e podemos, inclusive, chegar até o parlamento americano, exigindo que pressionem o FBI ou qualquer representante da polícia local?, acredita o deputado, que desconfia do andamento das investigações também por conta das informações sobre as pessoas que poderiam saber de alguma coisa sobre o desaparecimento da brasileira: ?Sabemos que os donos do restaurante – onde Carla foi vista pela última vez saindo com um americano desconhecido – e as pessoas com quem ela se relacionou tanto no trabalho quanto nos estudos são muito influentes na comunidade de New Jersey?.
EUA
Nos Estados Unidos, a repercussão do caso vem aumentando. Os jornais destinados à comunidade brasileira Brazilian Voice e Comunidade News publicaram, ontem, chamadas de capa alertando sobre o desaparecimento de Carla, com fotos dela e reprodução do retrato falado do americano suspeito. Nas matérias consta a descrição de ambos e informações sobre quando foram vistos pela última vez. De acordo com a repórter Liliane Pólvora, que trabalha no jornal destinado a brasileiros Comunidade News, de Danbury, estado de Conecticut, a cobertura local aumentou. ?A maior parte dos jornais publicou matérias nesta semana?, conta. Segundo ela, meios eletrônicos também divulgam o desaparecimento. ?A imprensa americana está divulgando principalmente em sites da internet e televisão. Rádios também estão dando chamadas sobre o assunto.?
No Brasil, a esperança da família é que o empenho da polícia, imprensa e, agora, dos parlamentares, se concentrem para que Carla seja em breve encontrada. ?Assim, com certeza, vamos ter alguma notícia rápido?, aguarda a irmã, Fernanda Vicentini.


