“A realização de exame médico antes do início da prática de exercícios físicos em academias de ginástica deve ser obrigatória.” A afirmação é do cardiologista especialista em Medicina do Esporte, Nabil Ghorayeb, de São Paulo, que ontem participou do Simpósio Coração e Exercício, promovido pelo Instituto de Neurologia de Curitiba.

Segundo o médico, recentemente o instituto paulista Dante Pazzenese realizou uma pesquisa com esportistas e verificou que muitos deles, sem saber, apresentavam anomalias cardíacas. Foram examinados 2 mil atletas profissionais de até 35 anos de idade e setecentas crianças de 2 a 14 anos que participavam de programas de iniciação esportiva. No primeiro grupo, 8% dos componentes tinham alguma anomalia. No segundo, eram 21%. “Na população em geral, o número de pessoas que não sabem ser portadoras de anomalias cardíacas deve ser muito maior”, comenta Nabil. “Por isso, antes de iniciar atividade física, a pessoa deve se submeter a um bom exame médico e não apenas pegar um atestado feito de qualquer jeito.”

O cardiologista revela que, no Brasil, muitas academias erram ao submeter seus alunos a teste de capacidade física antes de os mesmos terem passado por um exame ergométrico, feito com a utilização de esteira e com acompanhamento de um profissional de cardiologia. “Há riscos de o aluno passar mal durante o teste de capacidade, sendo vítima, por exemplo, de taquicardia, vertigem ou crise de pressão alta.” Quando esses problemas não se manifestam durante o teste, podem se manifestar ao longo do tempo, caso a pessoa que pratica exercícios não realize exames médicos anuais.

Outro risco para o coração, presente em grande parte das academias, é a venda de substâncias proibidas, como anabolizantes e determinados energéticos. O consumo desses produtos também pode levar a problemas cardíacos, inclusive com riscos de morte.