O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) convocou ontem uma reunião, em Curitiba, com técnicos de universidades paranaenses que questionam o estudo de impacto ambiental (EIA-Rima) para a construção da Usina Hidrelétrica Mauá, no Rio Tibagi, nos municípios de Ortigueira e Telêmaco Borba. Mas os convidados, de Londrina e Maringá, não apareceram e a reunião foi cancelada. Ainda não há definição de nova data para o encontro.

O objetivo era esclarecer os questionamentos do EIA-Rima, o que seria um fato inédito, segundo o presidente do IAP, Rasca Rodrigues. O levantamento foi feito por uma empresa de São Paulo, que receberá pelo serviço quando um empreendedor se interessar pela usina, em um leilão a ser realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o EIA-Rima, não haverá impacto direto para a comunidade indígena.

Na área ambiental, houve questionamentos sobre a fauna (espécies de aves e peixes) e flora. Os 8.445 hectares de área alagada, prevista no projeto da usina, atingiriam 49% da mata nativa em vários estágios. Desses, 19% em uma fase inicial, que pode ser suprimida pela legislação atual; 17% em nível médio, com limitações da lei; e 13% em um estágio mais elevado. ?Pedimos à Copel (Companhia Paranaense de Energia) uma simulação com uma área alagada menor para estimar o impacto. Entregaremos isso ao governador Roberto Requião, que vai bater o martelo?, comenta Rodrigues.

Rodrigues diz que o governo federal realiza uma forte pressão para o licenciamento de novas usinas. ?O Ministério de Minas e Energia estima que haverá apagão em 2008 e o estado com maior potencial de energia é o Paraná. Existem 68 solicitações para novas usinas, de pequeno a grande porte?, enfatiza. Segundo ele, a União considera ter mais quatro usinas no Paraná para suprir a necessidade de energia e extinguir a possibilidade de apagão. Duas já estão com processo em andamento: Mauá e Salto Grande, no Rio Chopim (região sul do Estado).